30 de setembro de 2013

Quebrou o metrônomo!

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Segundo o dicionário online Aulete, que costumo usar, metrônomo é um instrumento, geralmente com um pêndulo, para marcar o compasso, inventado no século XIX pelo austríaco Johann Nepomuk Maelzel (1772-1838).


É (ou era, já que tem caído em relativo desuso) um aparelho muito usado pelos músicos para ajudá-los a tocar de forma precisa (ou exata) os andamentos, até que o andamento se tornasse incorporado automaticamente ao músico, fazendo-o conhecer instintivamente o andamento e manter, sempre que necessário, um andamento constante.

Antigamente o metrônomo era um aparelho com custo relativamente alto pelo que fazia e, para usá-lo, bastava ver na partitura qual era o andamento e ajustar a posição do peso na haste do pêndulo dentro do intervalo que continha a identificação nominal daquele andamento. Assim, o "tic-tac" do metrônomo se mantinha no andamento previsto pelo compositor. Como limitação, não era possível modificar esse andamento: era o mesmo do início ao fim.  Hoje as músicas (inclusive as gravadas em estúdio) costumam basear-se numa base de andamento constante (a menos de alguns raros ritardando. Claro que isso somente poderia ser usado no estudo, porque cerceia muito a expressão: não permite mudar de andamento durante a música, exceto por curto espaço de tempo para executar fermatas ou outros modificadores pontuais (ritardando, accelerando etc).

A Wikipedia em inglês apresenta os tempos convencionais da seguinte forma:

Vagaroso:

  1. Larghissimo - muito muito lento (19 bpm e abaixo)
  2. Grave - lento e solene (20 a 40 bpm)
  3. Lento - lentamente (40 a 45 bpm)
  4. Largo - amplamente (45 a 50 bpm)
  5. Larghetto - um pouco amplamente (50 a 55 bpm)
  6. Adagio - lento e imponente (literalmente, "a vontade") (55 a 65 bpm)
  7. Adagietto - um pouco lento (65 a 69 bpm)
  8. Andante moderato - um pouco mais lento que andante (69 a 72 bpm)
  9. Andante - em ritmo de caminhada (73 a 77 bpm)
  10. Andantino - levemente mais rápido (as vezes mais lento) que andante (78 a 83 bpm)
  11. Marcia - moderato calmamente na forma de uma marcha (83 a 85 bpm)
  12. Moderato - calmamente (moderadamente) (86 a 97 bpm)

Apressado:

  1. Allegretto - moderadamente rápido (98 a 109 bpm)
  2. Allegro - rápido, apressado e brilhante (109 a 132 bpm)
  3. Vivace - animado e rápido (132 a 140 bpm)
  4. Vivacissimo - muito rápido e animado (140 a 150 bpm)
  5. Allegrissimo - muito rápido (150 a 167 bpm)
  6. Presto - extremamente rápido (168 a 177 bpm)
  7. Prestissimo - ainda mais rápido que Presto (178 bpm e mais rápido)

De imediato vemos que existem muito mais casos de andamentos vagarosos que apressados. Mas a subjetividade do significado da indicação de andamento, que depende do tipo de música, modificou bastante a correlação e interpretação das músicas. Compare as indicações acima com as existentes no link do Metronome Online (onde se pode ouvir imediatamente os andamentos em bpm). O andamento central é o MODERATO, com valores da ordem de 92 bpm.  No Metronome Online o centro do moderato é 112 bpm, o que não parece corresponder a uma caminhada exatamente calma e moderada. Pense no tic-tac do metrônomo mais como o toc-toc de um "sapato". Veja que o som está bastante apressado (ou seja, ALLEGRO).  Assim vemos a tendência, talvez devido à aceleração do estilo de vida moderno, de acelerar as antigas referências de tempo.  Ainda assim parece que o limite inferior usual gira em torno de 70 bpm, mesmo quando há uma indicação precisa de unidade de tempo registrada abaixo de 60 bpm.

Concluindo, acho que os músicos precisam revisar os conceitos de andamento.  O famoso "tempo" na música acelerou. O metrônomo nem tem mais vez, já que agora tenderia a ser usado apenas na região inferior da haste, ou seja, onde os tempos são mais rápidos.  Seria necessário fazer uma nova conversão dos andamentos, da forma como estão sendo executados por muitos músicos hoje, que é algo como o indicado abaixo:
  1. Quase parando (70 bpm)
  2. Muito lento (85 bpm)
  3. Normal (um valor fixo e constante entre 90 a 120 bpm)
  4. Rápido (acima de 130 bpm)
Embora eu não tenha feito efetivamente uma pesquisa sobre os andamentos, isso é o que se percebe das músicas e de muitos músicos atuais. Para evitar uma simplificação tamanha e um ritmo tão acelerado, pense na razão porque antigamente havia mais andamentos lentos diferenciados por indicativos de tempo que rápidos. Faço um apelo a todos que vejam a música como uma arte que precisa ser melhor apreciada. Acelerando as execuções de tudo perde-se a duração de cada nota e passa-se a ver apenas o "contorno" da música.  Conserte o seu metrônomo. A-p-r-e-c-i-e a música.

19 de maio de 2013

Os Efeitos da Música

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(Adaptado de: edition.cnn.com/2013/04/15/health/brain-music-research e edition.cnn.com/2012/05/26/health/mental-health/music-brain-science

Para responder se a música tem poder real sobre o homem e que efeitos podem ser observados, pesquisadores têm feito estudos relacionados ao prazer de ouvir música. Ainda não se sabe que processos químicos ocorrem exatamente ao ouvir música, mas as pesquisas estão indicando que ouvir música traz benefícios psicológicos (e.g., música tem dado bom resultado na substituição de anti-ansiolíticos antes de cirurgias). Também tem sido verificado que a música aumenta a imunidade e aumento de células que defendem nosso corpo de germes e bactérias. 

Estudos da relação de música e de uma parte do cérebro que forma expectativas demonstrou que quanto mais a música ativa essa parte do cérebro, mais os ouvintes demonstram gostar da música. Além dessa, outra parte do cérebro registra o contato com gêneros de música durante a vida, e o conhecimento prévio de padrões influencia a apreciação ou não pela música, baseada na experiência anterior da pessoa. Assim, diferentes pessoas poem o foco de suas atenções em detalhes ou partes diferentes, de acordo com suas particularidades, resultando em gostos diferentes, mas conclui-se, cientificamente, que todo cérebro faz uma análise muito similar, tendo-se observado sincronismo na localização das atividades cerebrais durante a audição de uma música desconhecida dentro de um grupo de pessoas estudadas. Essa similaridade indica que há uma similar percepção e que existe um nível da música que afeta da mesma forma todas as pessoas. Também os estudos mostram que a música não é um sinal meramente processado no cérebro, mas induz atividades cerebrais em diversas partes do cérebro envolvidas em movimento, atenção, planejamento e memória. 

(Daqui em diante, adaptado de Music: It's in your head, changing your brain

A música facilita a memorização da letra. Tocar música excita o cérebro de forma que jamais seria exercitado de outra forma, portanto podemos dizer que a música é algo necessário à humanidade. Quem não costuma apreciar música e evita ouvir música está fatalmente deixando de dar uma série de estímulos importantes ao cérebro, relacionados a outros aspectos das atividades humanas. 

Partes de músicas que "ficam presas" (ou "grudam") no ouvido são chamadas de "vermes do ouvido" ("ear worms"). Podem ser consideradas partes lindas ou horríveis, mas o cérebro parece querer repeti-las indefinidamente e parecem que nunca mais vão sair de lá. Um modo que pode, às vezes, resolver as repetições dessa memória musical de partes simples e pequenas, retirando-as da memória instantânea, é buscar outras músicas. Os cientistas acham que isso pode se dever a um "loop" físico nos circuitos neurais, mas ainda não há estudos definitivos sobre o assunto. Sabe-se, apenas, que esse fenômeno pode até causar problemas sérios de perda de concentração, mau-humor e ansiedade. 

A repetição no estudo da música permite que o cérebro grave a sequência, após inúmeras repetições, gravando músicas inteiras, mas existem pontos específicos para iniciar a execução de uma música. É comum vermos pessoas se perderem e terem que repetir tudo do início ou de um ponto distante. Os dedos de um pianista seguem a sequência gravada nos neurônios do cérebro e reforçados pela repetição. A música tem a capacidade de provocar prazer, liberando, no cérebro, dopamina após 10 a 15 segundos do estímulo considerado o clímax musical do prazer. 
Macacos não são afetados por ritmos "dançantes", embora alguns pássaros dancem ao som de batidas ritmadas. Estudos demonstram que o ritmo influencia na cooperação de tarefas e que pode, também, ajudar pessoas com doenças neurológicas (pessoas com Parkinson andam melhor quando ouvem músicas ritmadas; e pacientes com Alzheimer melhoram suas lembranças). O ritmo tem efeitos bastante poderosos e estimulam determinadas partes do cérebro. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Existem evidências científicas: 
  • de que a música tem um forte relacionamento com o cérebro; 
  • de que algumas partes dos estímulos afetam todas as pessoas da mesma forma; e 
  • de que o padrão rítmico repetitivo (música ritmada) é muito poderoso e pode ser utilizado como terapia no tratamento de doenças. 
Por essas evidências, no contexto da música religiosa, as músicas escolhidas para os cultos devem ativar as partes do cérebro "corretas" para a adoração. Isso, como demonstrado pelos estudos, não é algo totalmente relativo nem dependente exclusivamente da cultura. Existem fatores sonoros físicos que devem ser observados, principalmente com relação ao ritmo da música. Que instrumentos de ritmo adicionais e como devem ou não ser utilizados, é algo que precisa ser muito ponderado pelos dirigentes do programa, não é uma mera questão de gosto: é relativo ao verdadeiro poder da música.  Estude o assunto e, para agradar a Deus, faça as escolhas certas.

17 de dezembro de 2012

Posso Vender o Meu Louvor?

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A quem eu adoro?  Por que eu vou à igreja?  Por que canto músicas no culto?  O que é culto?  Já pensaram nessas perguntas e no que elas significam?  Se você é cristão e vai à sua igreja por hábito, pode ainda não ter parado para pensar profundamente nesse assunto sério.  Vou comentar brevemente esse assunto.

Eu já decidi que a Deus tudo o que eu faço em sua casa deve ser santo.  Santo é separado, exclusivo, apenas para Deus.  Então procuro me concentrar e dar oferta de tudo o que recebo.  Se o meu dízimo e as minhas ofertas destinam-se à manutenção da igreja, dos pastores, do suporte aos missionários, às missões e de tudo o que precisa de recursos para avançar na pregação do evangelho, o dinheiro é a oferta pelo que recebo.  É uma simples "devolução" parcial em gratidão, e eu ainda devo verificar se está mesmo sendo empregado corretamente.  Mas quando a nossa vida vem sendo abençoada também com talentos, esses talentos não estavam contidos nos dízimos e ofertas, porque dinheiro não paga talento; devemos ser igualmente gratos e devolver o que recebemos em dons, dando gratuitamente a Deus nos cultos.  Mas se dermos mesmo gratuitamente a Deus, então passa a ser de Deus e não podemos vender, nem cobrar por compras de CD no final dos cultos: não parece que assim seria gratuito, não é?!

Até aqui, acho que todos concordam que devemos contribuir, participar, ajudar a fazer o "corpo" viver (somos "unidos no corpo de cristo"). Mas se eu estou dando a Deus, simultaneamente posso vender aos homens?  Alguém pode cobrar pelos seus dons?  Um músico que, claro, vive da música no seu dia-a-dia, durante o culto pode (ou deve) cobrar pelos seus serviços?  Se cobrar, não estará vendendo o louvor, que deveria ser uma doação?

Pois bem, muitos -- não todos -- concordam comigo nesse ponto.  Mas indo além, reflitamos: parece bem razoável que um músico possa gravar suas músicas religiosas, cantadas com toda a técnica e conhecimentos musicais adquiridos.  Vende seu CD e seu DVD a um preço de mercado.  No momento da compra, o comprador está financiando um projeto.  Mas as leis dos homens protegem os direitos autorais, inclusive, neste caso, para uma música de louvor!  Então eu penso que começa a surgir um pequeno problema: se o objetivo for financeiro, aquilo não seria mais um louvor a Deus, mas um produto.  Assim surge um dilema: o CD pode ser copiado?  Se for copiado e entregue a um amigo, com a melhor das intenções, para evangelização: essa transgressão das leis dos homens seria pecado para Deus?! Vou me atrever a responder que "não"!  Mas isso iria causar um problema legal, por que as leis de direito autoral protegem o autor.  Mas Deus exige que sigamos a lei (quando disse para dar a César o que era de César)?

Sei que a tendência natural daqueles que lerão este post será achar que eu estou misturando as coisas.  Ma peço-lhe que reflita, à noite, sozinho neste assunto.  Agora direi qual foi a minha conclusão sobre esse assunto: se o louvor for genuíno (gostaria de acreditar que posso incluir os músicos e as gravações oficiais das lideranças das igrejas nesta hipótese) sempre deveria ter impressa ou tácita uma cláusula cristã do tipo:

"este produto é para Deus e vendido aos homens; é proibida a revenda ilegal; mas se você copiar para ouvir em sua casa, sua igreja ou outro lugar, não estará pecando nem cometendo nenhum crime; distribua livremente; mas se preferir contribuir com este ministério, nos ajudando a disponibilizar novos produtos, faça doação a (...) ou mesmo adquira as cópias originais; que Deus te abençoe em qualquer caso.

Infelizmente é raro vermos algo assim.  Pense no que você está fazendo com o seu talento.  Se Deus está dando, ele pode abençoar você, mesmo que você não tenha fé. Só não se esqueça das palavras que você mesmo, músico, está gravando.  Seja coerente.  Não venda o seu louvor por 30 pratas.

6 de agosto de 2012

Devemos Adorar a Deus Através da Dança?

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Autor: Pr. Ciro Sanches Zibordi
 
Destaques:
 
"As danças de Miriã e Davi foram parte da comemoração de uma vitória. Não devem ser vistas como parte integrante de um culto litúrgico — aliás, Davi depois ofereceu um culto a Deus sem dança! Embora o Senhor não tenha rejeitado aqueles gestos e manifestações pessoais, isso não é uma justificativa para se introduzir na casa de Deus ou no culto ao Senhor (independentemente do local) todo tipo de arte ou manifestações corporais do mundo, como coreografias, balé, shows de rap, street dance e bailes como parte da liturgia. Além disso, aquelas danças isoladas não respaldam as chamadas "baladas gospel" e outros modismos da atualidade."
 
"Sabemos que há diversidade de ministérios (I Coríntios 12:5), porém não nos esqueçamos de que isso alude à maneira multiforme de o Espírito Santo atuar. Essa menção de modo algum apóia todo e qualquer ministério inventado por pessoas que querem fazer prevalecer as suas preferências pessoais. A despeito de a Bíblia não apoiar o chamado ministério da dança, existem grupos chamados de ministérios de dança e coreografia nas igrejas (coreografia é uma forma de dança também!), formados por pessoas sinceras. Mas repito: não há no Novo Testamento nenhuma passagem que apóie a introdução da dança no culto público e coletivo. Isso é uma influência do secularismo, uma palavra mais suave para mundanismo (Romanos 12:1,2; I João 2:15-17; Tiago 4:4)."

 
Artigos, documentos, entrevistas e livros sobre música sacra
Visite e divulgue: http://www.musicaeadoracao.com.br
Veja também: http://musicaeadoracao.blogspot.com/
 
[Estou colocando o texto recebido por email neste blog]

14 de julho de 2012

Órgão de Tubos

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Houve um tempo em que as igrejas tinham o órgão como o máximo em termos de música.  Naquela época os melhores templos eram construídos com uma arquitetura que colocava o órgão como referência, geralmente em primeiro plano.  Os templos eram grandes, com espaço para grandes corais, podendo, os maiores, chegar a reservar um local de destaque para grandes corais e orquestra.  Mas, como ocorreu com tantas outras coisas no final do milênio passado, tudo foi simplificado.  Antes as pessoas tinham relacionamento mais presencial, sentavam-se em rodas (contaram-me meus pais), liam ou contavam estórias, recitavam e cantavam, dormiam cedo e acordavam cedo.  Trabalhavam para ganhar dinheiro e buscavam estabilidade no trabalho, sendo valorizada a capacidade de produção.  A palavra era o compromisso e cumprir a palavra era questão de honra.

Mas isso tudo foi mudando: os costumes, a música, os valores e, com isso, as regras.  A família de hoje não é a mesma de 50 anos atrás.  Antes, os pais ensinavam os filhos a se comportarem bem, mesmo que usassem a força. Hoje a sociedade condena a "violência" dos pais. Uma promessa de venda era fechada pela palavra, ainda que outra oferta fosse feita posteriormente, o compromisso era sempre cumprido, porque era uma questão de honra, e honra era valorizada.  Hoje a honra nesse sentido não existe e quem não exige um contrato assinado é que se torna o errado.  Antes as pessoas se reuniam em família e hoje cada um, a começar pelos filhos que exigem sua independência no início da adolescência, tem o seu canto e suas atividades.  Ninguém toma café, almoça ou janta junto.  As esposas tinham um papel na família, onde eram responsáveis pela estabilidade do lar, cuidavam dos filhos, administravam os bens -- que então eram comuns -- e não precisavam trabalhar fora de casa para completar o orçamento familiar.  Antes homem e mulher formavam um casal e tinham filhos.  Hoje, isso é considerado uma das "opções".  

A culpa, incrivelmente, é atribuída à ciência e à evolução tecnológica, social e total. Quando havia a noção completa de família, o homem era o responsável pelas finanças (o provedor) e era quem tinha que buscar o sustento fora de casa. A mulher era responsável por cuidar do pessoal (administrava os membros em todos os aspectos), montando a base do lar, que sempre estava ciente de tudo o que cada um fazia.  Movimentos feministas motivados por alegações de preconceito generalizado contra a mulher moderna, que buscava uma vida independente, sem precisar se vincular a um marido e que gostaria de ter os mesmos direitos e condições de estudo e trabalho que o homem.  A argumentação era muito convincente, mas o resultado foi a generalização do desmoronamento familiar completo.  Os casamentos começaram a ruir pela ausência do marido e mulher, que passaram a trabalhar.  O mercado de trabalho tornou-se saturado e o salário teve que ser consequentemente reduzido para se adequar à nova realidade, onde cada um somente supre a sua parte.  A parceria deixou de existir, os filhos ficaram desamparados, removendo-se o forte vínculo que havia.  As famílias, portanto, perderam o maior elo que havia. Assim, a família perdeu o seu papel num círculo vicioso que arrastou a todos.  Hoje se uma filha pensa em cuidar de sua família será taxada de irresponsável por querer viver sozinha ou arruinar a vida financeira de sua família.  A possibilidade de se casar e cuidar da família não é mais uma opção, conforme o conceito atual da sociedade brasileira globalizada.


Na igreja ocorreu o mesmo com o órgão e coral.  As mulheres não precisavam competir por trabalho e, com isso, podiam se dedicar a afazeres artísticos e musicais, absolutamente importantes na igreja.  Hoje a vida agitada só aproveita o tempo residual de estudos musicais realizados na adolescência.  E mesmo quando a profissão é voltada para a música as pessoas se cansam de trabalhar e não querem mais se dedicar a isso nas igrejas.  O piano que existia em cada lar e o órgão de tubos que cada vez se tornava maior, passaram a não ter mais sentido.  Hoje o rock secular dos anos 60 e que repercutiram em todas a música secular dos anos 80, entrou definitivamente para a igreja pelos novos instrumentos mais simplistas, muito mais práticos, onde menos esforço é necessário, menos tempo se gasta para preparo, menos pessoas são necessárias e muito mais som (e ruído!) se produz.

Um coral leva muitos anos para juntar as vozes de centenas de pessoas em uníssonos suaves e uniformes, enquanto uma voz (que algumas vezes é) rouca e franzina de uma pessoa sem treino e sem fôlego, com o uso de microfones e sistemas moderníssimos de sonorização e modificação sonora baseados em uma tecnologia avançada de correções e conversões, impõe o novo (o atual) padrão de música.  A percussão sempre existiu mas nunca foi utilizado de forma tão presente nem tão monótona, é hoje um ramerrão obrigatório nos ouvidos de todos, em todos os lugares e inclusive na igreja, e ainda em uma intensidade muito superior ao nível sonoro confortável e seguro de outrora.  A bateria, a guitarra, o teclado e uma voz sem qualquer preparo são, hoje, um padrão imposto e exigido por pessoas que não tiveram qualquer preparo musical (me refiro ao estudo básico, metódico, formal e erudito).  A justificativa, na área de música religiosa, para a adoção universal desse novo padrão é que a música evoluiu.  Simplesmente isso.  Ou seja, alega-se que se antes não havia esse tipo de música (gospel, evangélica ou, podemos dizer, rock e "pop" cristão) era porque a tecnologia não permitia e porque ainda não havia sido inventada.  Então, por evolução, hoje a música nas igrejas passou a ser similar ao rock melódico do Brasil tocado na década de 80.


O órgão foi substituído, repentinamente e junto com o piano, pelo teclado eletrônico, que se adere às novas tecnologias eletrônicas.  Claro que a tecnologia também permitiu a evolução de órgãos de tubo e de pianos, mas a simplicidade, o menor custo, a disponibilidade e a aderência ao ritmo cristão globalizado sufocou essa evolução.  Piano é, nas casas das famílias, um artigo cada vez mais raro.  Com isso, novamente o círculo vicioso explica o fechamento de fábricas e lojas de instrumentos tradicionais.  Instrumentos de orquestra, escolas de música, aulas de canto erudito, órgãos de tubo: muitos estão próximos até da extinção!!!  


Finalizando, sobre o órgão de tubos, ainda que a tecnologia ajude a aprimorar os controles, permitindo recursos impensados antigamente, o princípio de funcionamento é tão simples que um leito até duvidaria: é um assoprador de tubos.  Um órgão é composto por milhares de flautas que podem ser assopradas à distância.  8 mil tubos, por exemplo.  Alguns são de madeira e outros de metal.  Cada um tem sua forma --cilíndrica ou não--, seu diâmetro e seu comprimento, que pode variar de 1 cm a 10 metros.  Esses tubos são controlados por cinco teclados e centenas de chaves.  O som que é produzido por um conjunto tão grande de tubos instalados em salas na parede.  É algo grandioso, totalmente diferente de tudo o que existe nas igrejas.  

Nunca houve percussão permanentemente associada à música sacra no passado, como hoje há e com isso as músicas que sempre acompanharam a igreja começam a se tornar incompatíveis e perderam a graça.  Uma música que era executada com todos os detalhes de dezenas de horas de aperfeiçoamento, ao ser tocada por instrumentos e técnicas simplificados, perde toda a beleza e sua razão de ser.  Eu diria que a música devocional sacra deveria produzir no adorador algo como o clareamento de sua mente e fazê-lo se abster o máximo possível de sua natureza carnal para ligá-lo ao espiritual e racional, sem apelo emotivo e sem precisar as técnicas do popular ministério de louvor acompanhado das mãos para o alto e gemidos de demonstração de submissão: Deus não precisa e não quer isso.  Mas, hoje, tenho que dizer que isso é apenas a minha simples e modesta opinião.  Não é pessoal... mas significa que para mim o mundo está perdido... e a igreja também.  Mas já sabíamos que seria assim no fim dos tempos...!

16 de maio de 2012

Restauração da Música Coral nas Igrejas

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A música coral já teve seu momento áureo, mas, já há algumas décadas, sofreu uma forte queda.  O que houve com a tão buscada sensibilidade foi um processo de simplificação extremo que ocorreu após o surgimento de recursos tecnológicos avançados.  Na atualidade é possível a uma única pessoa cantar ao vivo uma música a quatro vozes, é possível que um desafinado tenha sua voz editada e afinada, é possível que um tenor produza voz de baixo ou que um baixo reforce seus harmônicos, modificando sua tessitura e a textura de sua voz, artificialmente.  Toda essa tecnologia poderia contribuir para o aumento na sensibilidade musical mas, ao contrário, parece que está valendo a tão conhecida "lei do menor esforço".  Se podemos fazer agora um som similar utilizando muito menos tempo e recurso, porque estudar tantos anos?  

O computador hoje já é capaz de executar qualquer peça, podendo-se manipular de várias formas o tempo, a dinâmica e todos os recursos de expressão, executando-se qualquer partitura musical.  Os sons dos vários instrumentos musicais são gravados por amostragem (ou "samples") produzida por instrumentistas profissionais, que gravam individualmente o som de cada nota, registrando cada variante para cada possível expressão e recursos de nuances dos instrumentos, produzindo sons tais como: legato, staccato ou pizzicato, sforzando ou dolce, e uma série de novos recursos que nem se imaginava serem possíveis há alguns anos. Uma criança poderia programar uma execução de uma orquestra executando o famoso Voo do Besouro, de Rimsky-Korsakov no seu computador.  Veja abaixo uma versão orquestrada e uma versão sintética simples:

"O Voo do Besouro" com Orquestra

"O Voo do Besouro" no computador 

A tendência que vemos hoje é que, ao invés disso atingir-se um novo patamar de qualidade e erudição, ocorreu a simples substituição, havendo uma redução de qualidade mas uma eficiência muitíssimo maior.

A existência de um coral tem muitos aspectos importantes para uma igreja: torna um grande número de pessoas ativas na liturgia de um culto, imprime a noção de interdependência de todos na execução de uma única obra, educa as vozes, aumenta o conhecimento teórico musical, aumenta as percepções auditivas, além de muitos outros aspectos.  

Mas a música coral nas igrejas está sofrendo com a tecnologia e simplificação.  Alguns sintomas claros disso consistem num andamento rápido e constante, no ritmo padronizado, na intensidade alta (varia entre mf a fff) com a utilização obrigatória de microfones.  Poucos são, agora, os graus de liberdade que se colocam, realmente, à disposição do regente, que está limitado pela "banda" que substitui o acompanhamento tradicional de piano e órgão.

E agora, com esse quadro que se estabeleceu, como poderemos restaurar a música coral de qualidade nas igrejas?  Alguma sugestão?!!

20 de janeiro de 2012

O Uso da Percussão

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Música é arte.  O gosto pela música na vida de uma pessoa sofre constantes modificações e, ao longo das décadas, o conceito da beleza na forma musical se modifica (mas não se consolida, necessariamente).  Quem abre sua mente para algo novo vai, com a experiência e o contato, aprendendo a gostar.  A subjetividade desse assunto dificulta a análise fria do que é a beleza musical e se existe algum conceito absoluto na música.




Antes de mais nada, friamente falando, música é um conjunto de variações na vibração do ar que atinge nosso corpo -- e principalmente o ouvido.  Partindo de um ruído aleatório, a "correta" organização das frequências, a organização dos tempos em que cada conjunto de frequências múltiplas e bem definidas e a intensidade sonora definem a nossa música.  O som da música é formado, grosso modo, pelo conjunto de intensidades e frequências sonoras que impressionam nosso corpo.

Música é som que trabalha e conversa diretamente com a nossa mente.  Algo capaz de se dirigir diretamente ao cérebro é algo poderoso.  Mostram os estudos que a visão é o sentido que possui a ligação mais imediata com o cérebro, devido à conexão direta das suas redes neurais.  A audição é importante e com ela podemos compreender palavras, perceber as nuances que indicam a emoção do locutor.  Um livro contém palavras que expressam fatos e conhecimentos.  A leitura é feita com a visão, mas o mesmo texto pode ser ouvido.  Qual é a diferença?  Ouvir a bíblia pela voz do Cid Moreira ou lê-la?  Quando o locutor coloca a sua interpretação, a sua interpretação dá alma e transforma o texto, inserindo um novo contexto.  Isso pode enriquecer ou empobrecer, mas uma coisa é fato: modifica a assimilação do conteúdo.

O efeito da música que ouvimos, portanto, depende de nós (de como temos formado o nosso "tradutor interno de música", de como ela acessa nossas memórias e nossas convicções), e da execução (de quanto de emoção ou vida a música recebe de seus executantes, da qualidade sonora formada pelo tipo e qualidade dos instrumentos e destreza dos músicos, de como o arranjo trabalha com a harmonia, o tempo, a melodia e todos os inúmeros detalhes que compõem a estética musical).

Pergunta inevitável: existe, em algum grau, algum fator absoluto em toda essa subjetividade?  Resposta: eu creio que sim.  Por que?  Porque foi explicado acima que música está intimamente ligada a ordem, organização, harmonização de fatores físicos para que tenham acesso a nossa mente.  O universo é organizado em todos os níveis: das galáxias aos quarks, tudo tem muita organização e harmonia.  A harmonia que chega aos nossos ouvidos nos agrada, sempre.  Nem os roqueiros mais pesados poderiam refutar o fato de que um acorde harmônico é agradável ao ouvido.  Então existe música que acalma e música que agita.  Ponto.




E agora, e a percussão... o que faz em nós?  É um fator que deve estar presente na música, por enriquecer as possibilidades.  Se comparar uma música com bateria e uma música sem bateria, são diferentes.  Diferença é agradável. Uma música não pode ser feita por um só acorde.  A diversidade controlada, de alguma forma, gera em nós uma sensação agradável.  Se a sequência de notas for aleatória (digamos, feita aleatoriamente em computador) o resultado será desastroso.  Não havendo uma regra de formação o resultado é sofrível ou desastroso.  Havendo, entretanto, repetições idênticas, ainda que de temas sonoros agradáveis, ocorre uma saturação.  Isso ocorre com as canções simplórias.  Isso pode ser sintetizado com uma pobreza musical.  Então, se não pode ser aleatório nem repetitivo, o que sobra para uma música ter poder de comunicação é o equilíbrio.  O equilíbrio significa não utilizar um instrumento gerador de ruído (a despeito desse tipo de instrumento ser uma das ferramentas essenciais da música) ao longo de toda a música.  Tem graça registrar o som do metrônomo ao fazer a gravação de uma música?  A bateria é, no ritmo rock (isto é, na música contemporânea ocidental do século XXI), uma violação à integridade sonora da complexidade harmônica de uma música, recortando-a com ruídos do início ao fim, de forma repetitiva e quase monótona, muitas vezes intensa.  Teste ouvir todas as músicas MIDI com software que tenha metrônomo, deixando-o ligado.  A música fica contaminada.

Na igreja, a música tem sofrido gravemente com o empobrecimento pela bateria.  Quando uma música começa ao acompanhamento de cordas e sopro, e, depois, na sua metade, entra a bateria, ainda que o efeito possa ser interessante à primeira vista, analisando profundamente, o que ocorre é que a primeira parte da música deve ser classificada como uma música poderosa, ao passo que a segunda parte é a desconstrução do que foi feito pelo empobrecimento rítmico e sonoro por poluição auditiva de um padrão monótono e repetitivo, cujo intuito equivocado do arranjador era criar um momento mais "grandioso".  Existe lugar para a percussão na música, mas esse lugar deve ser limitado pela lilmitação que o próprio som da bateria tem.  Ouça solos de bateria e tente enumerar todas as emoções que transmite.  Ouça, por outro lado, solo de qualquer instrumento, seja de orquestra ou do que chamam de "banda" (entenda-se "rock").  Não há como comparar.

Se concordou com as argumentações e opiniões cima, um conselho para ser passado aos músicos que não percebem a profundidade desse assunto sobre as pessoas:  simplesmente deixe a bateria de lado e troque o "rock" por "música".   Nada se perderá e muito se ganhará.  Para não dispensar o baterista, ensine música para ele e deixe-o auxiliar com um instrumento mais útil e menos egoista (a bateria registra a maior intensidade sonora e só faz variações em ruídos).

28 de novembro de 2011

Trompa de Viena

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A trompa francesa em fá é um instrumento muito conhecido e faz parte de qualquer orquestra.  Já a trompa de viena... tenho que confessar que não a conhecia!  Como é muito parecida com a "french horn", seu som também é bastante parecido.  Embora os repertórios sejam diferentes, mostro dois exemplos abaixo.  Para mim a diferença está no som mais metálico e leve da trompa tradicional e mais escuro da vienense.

Vienna horn:

French horn:

Comentários?!

5 de novembro de 2011

A música não pode ser "arrastada"... pode?!

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O gosto musical de cada indivíduo depende de sua experiência, vivência e preconceitos e aberturas das diferentes estéticas musicais a que se é exposto.  Eu, por exemplo, poderia ter prazer de ouvir batucadas (ou músicas) tribais, como as usadas na capoeira... mas não tenho, não gosto.  Se passar a ouvir diferentes músicas de um mesmo "estilo" a tendência natural é a assimilação.  As emoções contam também, podendo, opostamente, produzir uma repulsa, mas isso somente se houver algum tipo de preconceito consciente ou inconsciente sobre a entrada em questão.  Assim, admito que não gosto nem pretendo gostar de músicas utilizadas em rituais afro-religiosos, por opção.  Além desse aspecto, existe os efeitos fisiológicos da energia sonora ritmada no corpo humano (novamente indico o link: "os efeitos da música rock").

Mas hoje pretendo abordar sucintamente o aspecto de cinemática musical.  Junto com a dinâmica e todos os detalhes que enriquecem a execução (conforme visto no último post), a expressão musical é necessária para impedir o "arrasto" de uma música lenta.  Cansei de ouvir comentários como: "cuidado para não associar o fraco com o lento", e isso é uma verdade... mas é relativa.  É, eu diria, uma associação desejável de fraco com lento e forte com rápido, que provoca um certo tipo de efeito.  Essa associação existe na linguagem verbal rotineira, quando falamos energicamente de modo mais alto e rápido que o normal ou secretamente de modo baixo e lento.  Assim, o temido "arrasto", segundo minhas análises, consiste na imprecisão do tempo e no canto desatencioso, geralmente fazendo com que haja vozes ou instrumentos com defasagens.  Os pianistas geralmente buscam acelerar, executando adiantadamente as entradas.  Toda essa falta de sincronismo produz um mal estar chamado, por muitos, de "música arrastada".

Vou dar um exemplo de música reflexiva, do tipo que é e deve ser empregada em consonância com as liturgias religiosas: Deus o Mundo Amou (da Crucifixão, de Steiner).
Excolhi esta versão em língua inglesa porque a qualidade é fundamental para demonstrar o que estou dizendo.  Repare o volume do piano (fraco).  Fraco é fraco e forte é forte, como se espera.  Alguns compositores costumam inventar ppppp ou fffff para compensar a falta de sensibilidade dos executantes.  Mas se o pp, que é pianíssimo e significa muitíssimo fraco, não for realmente executado de modo fraco (o mais possível), na prática costuma não adiantar ter mais letras intensificando a necessidade de executar com leveza.  A ideia do compositor é deixar claro que ele quer algo quase inaudível.  Mas como isso depende da sensibilidade, frequentemente ouvimos o ppppp como um simples mp (meio fraco).  Repare que na música acima o início da execução parece mais pp que p, e é o modo como gosto de ouvir.  A letra é bíblica (João 3:16) e a expressão que a música passa é que o amor de Deus foi tão grande que é como algo que cresce, mantém a calma, transmite segurança e não tem limites.  Mesmo sem a letra a música já diria isso.  Experimente ouvir.

Outra música fantástica e lenta é o Sanctus da Missa de Santa Cecília, de Gounod (video abaixo).  A letra é simples e diz: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos; a terra e o céu estão plenos da Tua glória; hosanas nas alturas; bendito o que vem em nome do Senhor; hosana nas alturas.  Existem interpretações mais lentas (que eu, inclusive, gosto mais) que são ainda mais solenes.  Mas a música em si já tem uma expressão sinalizada e intuitiva grandiosa.  É uma música grandiosa que fala de um Deus mais grandioso ainda e dá muito bem o recado.  Ouça, sem pressa.


Veja outra interpretação, tentando reparar os detalhes e as diferenças, inclusive as dinâmicas de cada frase musical.  Repare na parte do ff do coral, onde os crescentes e piano subito fazem um contraste absolutamente incrível.


Uma outra música totalmente diferente que tem um potencial muito grande para se beneficiar da solenidade das músicas discutidas acima é a "Creio em Deus", de Nabor Nunes.  Na execução abaixo, o Coro do Seminário batista (STSB) faz uma bela apresentação.  No intuito de aperfeiçoar a execução e em consonância com o que tenho dito, se eu estivesse na regência, a percussão seria eliminada, o andamento seria mais livre e (muito) mais lento, de modo que a graça estaria nos detalhes da dinâmica (forte e fraco) de cada frase.  A liberdade seria acelerar em certas partes, como no f indicado na partitura para a parte "mesmo que a vida não seja tão calma eu creio em Deus", porque se a vida está turbulenta, eu faria como um desabafo, transformaria em ff; em seguida eu faria algo mais reflexivo, reduzindo um pouco a intensidade (e talvez um pouco o andamento) quando a frase prossegue: "mesmo que o ódio destrua o mundo", voltando a forte: "eu creio em Deus".  Em seguida uma redução até falar do sombrio, com pesar, fraco: "eu creio em Deus, sim creio, mesmo sendo sombrio aqui; mesmo havendo maldade eu Creio em Deus".  A beleza desta música é a possibilidade de expressar grandes e diferentes emoções, tornando a música muito agradável.  Assim eu, portanto, modificaria a execução, que não está ruim, mas que, para mim, ainda pode melhorar.


Finalizo sugerindo a busca de erudição.  Um erudito (o que no dicionário Michaelis online significa: "que tem instrução vasta e variada, que revela muito saber") na música é aquele que estuda e se aprofunda em técnicas e teorias relacionadas a música.  Vamos nos aprofundar?!!

25 de outubro de 2011

Sensibilidade e emoção

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A música ao ser executada por cada intérprete, soa diferente. Existem inúmeros detalhes que modificam o som. Cada compositor ao conceber uma música, procura registrar, com os sinais gráficos convencionais, o alinhamento da execução para que haja uma linha geral em consonância com o que foi pensado sobre a composição. Existem algumas obras que ficam tão expressivas quando executadas de uma certa maneira que acaba sendo correto, senão obrigatório, executá-las sempre daquela forma.

O que faz a maior diferença no toque de um pianista é a capacidade de controlar a variação no peso de cada dedo. Sabendo usar isso de forma correta e tendo-se a sensibilidade de conjugar as infinitas diferentes expressões de forma artística. Uma execução sem expressão é uma sequência de sons, não uma música. A música pressupõe uma interpretação sensível, transmitindo emoção pela energia transmitida pelas ondas sonoras. A energia transmitida pelo piano, por exemplo, atinge o ouvido e corpo do ouvinte, provocando emoções. Se isso ocorrer, há música.

Detalhe simples para um iniciante em piano: comece a pensar em cada pequena e simples peça tocada em seu piano como sendo uma obra que precisa ter o máximo possível de emoção. Não toque mecanicamente, nunca. Não corra desesperadamente sem razão, pois é mais difícil ser sensível e atingir os detalhes de acentuações, ligações, dinâmica e variações no andamento quando se estuda de modo lento. Toque leve na maioria das músicas para poder transmitir o peso nas notas mais fortes. Faça um trecho forte com diferentes acentuações, baseando-se em sua criatividade e sentimento da música em questão. Escolha músicas que possam tocar você fundo e, assim, possam expressar o seu sentimento. Não toque piano (ou outro instrumento qualquer) para os outros; toque-o para você. Sinta e viva a música. Ria e chore, viva e morra, tenha alegria e saudade com ela. Quando começar a perceber isto, sua execução será a verdadeira música: sensibilidade e emoção.

29 de agosto de 2011

Música é ou não é neutra?

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Tenho visto debates sobre a neutralidade da música em relação à moral.  De um lado conservadores e de outro músicos modernos explicam a razão de poder ou não utilizar determinados ritmos e instrumentos.

De um lado, se afirma que música é uma sequência de combinações de frequências variando no tempo em diferentes intensidades, mais nada. Nesse caso, de acordo com o meu entendimento do assunto, uma música em si não é triste ou alegre, nem faz dançar ou refletir.

E você, o que acha a respeito disso?  O que é a música?

19 de julho de 2011

Links de Som

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Vou listar alguns links contendo conteúdo relacionado ao mal que faz a música ser "um pouquinho alta".  Pode ser emocionante, pode ser grandioso, pode ser ritmado, pode ser jovem, mas também é perigoso para a saúde. Algumas informações diferem um pouco das que já apresentei nos posts, mas há variações de níveis de segurança e abordagens.  Também friso que o som pode variar muito com o tempo, portanto há mais de uma maneira de tratar disso.


15 de julho de 2011

Som música e ruído

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Apenas uma dica sobre artigo. Leiam http://opensadorselvagem.org/arte-e-entretenimento/musica-mais/som-ruido-e-musica .

Depis de ler, me responda: dá para avaliar uma música gravada em um arquivo digital pelas suas propriedades radiométricas? Se não entendeu os termos, explico de outro modo a pergunta: dá para analisar e classificar uma música somente pela curva de intensidade no domínio do tempo? Se ainda não deu para entender, vou tentar outra: dá para saber se uma música é bonita pelo grau de organização e variações da onda resultante?

Alguém, por favor, comente.

12 de maio de 2011

Males do som intenso

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"O ouvido humano suporta até 90 decibéis. A partir daí, já existe a possibilidade de uma pessoa apresentar lesão, muitas vezes irreversível, levando a perda auditiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a poluição sonora a terceira maior do meio ambiente, perdendo apenas para a poluição da água e do ar."

"(...) Um indivíduo não pode permanecer em um ambiente com atividade sonora de 85 decibéis de intensidade por mais de 8 horas. Esse tempo cai para 4 horas em lugares com 90 decibéis; 2 horas em locais com 95 decibéis; e 1 hora onde a intensidade chega a 100 decibéis. (...) algumas coisas que podem parecer sem importância, como a altura do som, mas que podem acarretar conseqüências desastrosas para sua vida".

"Dependendo do período de exposição, sons de intensidades superiores a 85 decibéis podem causar 'distúrbio de dupla perversidade, pois ao mesmo tempo em que compromete nossa capacidade auditiva para sons ambientais, pode causar ainda um sintoma contínuo e muito incômodo: o zumbido. Para não ser atingido por esse problema, é necessário se adequar frente aos novos tempos de furor tecnológico dos decibéis, alimentado pela falta de organismos eficientes para controlar a poluição sonora ambiental'." 

"A lesão por ruído, geralmente fere células do ouvido responsáveis pelas freqüências agudas. 'E é justamente nestas freqüências que estão concentrados os principais fonemas para o entendimento das palavras. Quando isto ocorre, o paciente deve procurar um otorrinolaringologista para fazer o diagnóstico médico', (...) um dos recursos mais indicados para combater o problema são os chamados "mascaradores de zumbido" "Quando o tratamento medicamentoso para o zumbido não surte efeito, é necessário a adaptação de um aparelho auditivo especial para 'compensar' estas freqüências lesadas' (...)  Existem protetores auditivos com filtros, que deixam passar um som limpo como a fala, por exemplo, e protegem somente do ruído, garantindo a comunicação em um nível saudável dentro de ambientes muito ruidosos". 

"O som nocivo (poluição sonora) pode acarretar conseqüências severas à qualidade de vida da população, afetando a saúde do indivíduo e conturbando as relações sociais. 
As repercussões são de ordem individual e coletiva. No Rio de Janeiro, 60% das reclamações recebidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, são relacionadas às agressões sonoras. Algumas pesquisas mostram que o ruído fora de controle constitui um dos agentes mais nocivos à saúde humana, causando perda da audição, zumbidos, distúrbios do labirinto, ansiedade, nervosismo, hipertensão arterial, gastrites, úlceras e impotência sexual."

"Muitas pessoas rejeitam o aparelho auditivo, mas como é natural usarmos óculos para poder amplificar as imagens, também deveríamos usar os aparelhos de amplificação sonora (AAS), também chamados de próteses auditivas, ou outros equipamentos auxiliares para a audição, sem nenhum preconceito, como forma de se minimizar os efeitos negativos da deficiência auditiva que tanto aflige as pessoas". 

A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial adverte:
"O SOM INTENSO PROVOCA PERDA DE AUDIÇÃO"

"A exposição a sons intensos é a segunda causa mais comum de deficiência auditiva. Muito se pode fazer para prevenir a perda auditiva induzida por ruído, mas pouco pode ser feito para reverter os danos que ela causa. Algumas vezes, uma simples e única exposição a um som muito intenso pode ser suficiente para levar a um dano auditivo irreversível. Isso ocorre porque o som de alta intensidade lesa as células sensoriais auditivas, causando perda auditiva proporcional ao dano gerado, podendo levar a zumbidos e distorção sonora.

Os sintomas iniciais da perda auditiva induzida por ruído são sutis, começando, na maioria dos casos, pelas freqüências agudas. Conseqüentemente muitos indivíduos não percebem que apresentam uma perda auditiva induzida por ruído, pois todas as outras freqüências sonoras estão dentro da normalidade, e continuam se expondo a ele por falta de orientação ou conhecimento.

Ao contrário do que muitos imaginam, a exposição a sons intensos não atinge somente profissionais que trabalham em locais com elevado nível de ruído, como indústrias ou aeroportos, mas pode acontecer numa variedade de situações, que são muito freqüentes no dia-a-dia da maioria das pessoas."

"(...) a exposição a sons intensos ocorre com muito mais frequência do que se imagina. Alguns estudos mostram que a chance de um indivíduo desenvolver perda auditiva quando exposto a ruídos de 90 decibéis (dB) durante 40 anos é de 25%. Isso sem levar em consideração que apenas um único som acima de 100dB pode lesar irreversivelmente as células sensoriais de pessoas suscetíveis. Essa intensidade sonora é facilmente atingida em cinemas, danceterias, shows musicais, comemorações com fogos de artifício, que fazem parte dos hábitos comuns da vida cotidiana.

Algumas dicas podem ser seguidas para saber se você está ou esteve em um ambiente com intensidade sonora potencialmente lesiva à sua audição:
(1) se há necessidade de gritar em um determinado ambiente para se fazer ouvir; 
(2) se zumbidos ocorrem após exposição a um som intenso 
(3) se a sensação de ouvidos cheios ou de diminuição de audição aparece após a exposição sonora."

Eu acrescento a esse texto: se você está sujeito a som muito alto no ambiente que frequenta e não percebe nenhum desses sintomas, cuidado: a coisa pode ser ainda pior do que você imagina!  Crianças devem ser poupadas a todo custo.  Abaixe o excesso de volume sonoro da sua vida.

16 de abril de 2011

Escolhendo a Música da Igreja

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Para escolher a música da igreja hoje, podemos nos deparar com um dilema: manter o repertório da época de nossos avós ou deixar a tradição para trás e modernizar com o que se chama hoje de "louvor"? Há muita coisa a respeito disso nas discussões de internet e, segundo a minha análise, geralmente não há debates calorosos por uma razão básica: quem acredita que a música deve ser tradicional escreve a favor disso; quem acredita que o mundo mudou e que a música aceita pacificamente hoje não depende da tradição, escreve sobre isso. Assim, um nem termina de ler o que os outros escreveram, se houver divergências.

Eu já fui mais tolerante à música mais moderna e em casa ouço variados estilos musicais. Gosto de ouvir músicas bem escritas e executadas. Sinto-me bem ouvindo músicas distintas, algumas tranquilas, outras feitas com sons exóticos sintetizados. Gosto de ouvir as séries Gaither Gospel Series, pois têm tanto músicas divertidas e animadas como outras profundas e reflexivas. Acho possível louvar a Deus com címbalos e adufes ou mesmo bateria. Aliás, quando ainda criança, cheguei a pensar em aprender bateria, depois de adorar ouvir certas viradas difíceis! Hoje sei que o volume do som me incomoda muito a ponto de tornar inviável esse instrumento.  E além do mais, importante é saber que o instumento em si nunca foi um problema, mas o seu uso.

Fiquei mais conservador, embora não seja fundamentalista. Ao longo do estudo do assunto da música para igreja, sinto-me muito mais propenso a aceitar uma música com (a) ritmo mais contido e pouco sincopado ("gingado"), (b) letra profunda e significativa, (c) melodia sem floreios excessivos, melismas e efeitos artificiais (refiro-me a efeitos como rouquidão e voz "chorosa"), (d) "a cappella" até acompanhamento com rica orquestração de instrumentos, (e) harmonia densa e bem resolvida e (f) cantada em muitas vozes. Sinto-me adorando quando canto ou ouço na igreja música de igreja.

Na prática evito o que se está chamando de "banda", não me sinto confortável falando em "tribo" na igreja, não sinto que a igreja seja lugar para a bateria (não me refiro ao instrumento em si, mas à sua utilização que fatalmente é feita de forma "inconveniente"), não acho que o som da guitarra combina com adoração, e por fim não acho que jovens devam ser separados dos demais por ter gosto diferente, pois acontece o que já aconteceu: mudam-se os valores.

As argumentações a respeito desse assunto são muitas, mas eu sugiro a leitura do site que venho sempre indicando nos posts anteriores: "Música Sacra e Adoração".

Gostando ou não das mudanças sou obrigado a aceitar o que se faz nas igrejas hoje. Escrevo por acreditar que alguém pode achar curioso um músico parecer tão "retrógrado" e, tentando descobrir o motivo, acabe como eu, sendo outro "retrógrado". Só lembro que o som aceitável jamais pode passar de 95dB.

Os Cânticos que Usamos

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O texto a seguir é parte do texto intitulado: "Agradando a Deus em Nossa Adoração", escrito por Dr. Robert Godfrey, publicado no site Música e Adoração

O que os Salmos ensinam sobre o cântico? Primeiro, eles nos lembram da rica variedade de cânticos que podemos e devemos apresentar a Deus. Os Salmos contém louvor alegre e ação de graças. Os Salmos são chamados o Livro dos Louvores, pois eles não somente contém, mas também culminam no louvor de Deus (veja especialmente Salmos 146-150). Mas os Salmos contém muito mais do que louvor. Alguns Salmos refletem sobre a criação (por exemplo, Salmos 19 e 104); outros contam a grande obra salvadora de Deus em Cristo (Salmos 2, 22, 24 e 110). Há Salmos de lamentação e arrependimento (Salmos 32, 51 e 137), bem como Salmos que expressam a confusão e frustração que o povo de Deus às vezes experimenta vivendo neste mundo caído (Salmos 44 e 73). João Calvino com razão observou sobre o Saltério, "Não há uma emoção da qual qualquer pessoa possa estar consciente, que não esteja aqui presente como num espelho".

Em muitas igrejas hoje, parece que somente cânticos felizes e alegres são cantados. Mas a alegria não é a única emoção que os cristãos experimentam. A adoração cristã precisa prover tempos quando a tristeza ou as emoções reflexivas são expressas, bem como as felizes. Uma variedade de textos de cânticos, como os encontramos no Saltério, são cruciais para este propósito.

Segundo, os Salmos também são um modelo para nós da substância do nosso cântico. Uns poucos Salmos são curtos e têm elementos repetitivos, mas a maioria deles são cheios, ricos, profundas respostas a Deus e à Sua obra. O cântico de louvor a Deus, o Saltério nos lembra, não é apenas expressão emocional, mas um compromisso real da mente. A ordem para amar a Deus com toda nossa mente deve informar nosso cântico. Mente e emoções juntas são o modelo de louvor nos apresentado nos Salmos, e a igreja moderna deve trabalhar para restaurar tal união, onde ela tem sido perdida.

Uma vez que capturarmos novamente o sentido apropriado dos textos que devemos cantar, os outros dois assuntos sobre cântico são relativamente fácies de resolver. Que melodias devemos cantar? Podemos usar qualquer melodia que seja cantável para uma congregação e que suporte o conteúdo do cântico. A melodia deve refletir o modo e a substância do cântico à luz da alegria e reverência que são apropriadas à adoração. Com aquelas diretrizes em mente (e uma sensibilidade à dificuldade da congregação em relação a uma mudança), o assunto da melodia para os cânticos deve ser resolvido facilmente

20 de março de 2011

Resultados de medições (IASD de Botafogo)

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Utilizando o decibelímetro descrito no post de 9 de março, encontrei alguns valores de referência para um dia de culto em uma igreja adventista em que eu diria que, para mim, o som estava ligeiramente acima do normal.  Hoje em dia isso é um elogio muito grande.  Não vou registrar os mínimos, pois muitas vezes há silêncio, o que atingiu um mínimo geral de 53dB. O registro indicará apenas a média (que também é variável de acordo com o momento, já que não há momentos de intensidades constantes, mas oscilações permanentes.  Eu procurei registrar um momento de baixo volume e outro de alto volume dentro de cada período.  O valor abaixo é a média desses valores.  Os máximos são os máximos absolutos por atividade.  Importante lembrar que foram utilizadas apenas pequenas amostras de cada caso.  Sempre as amplitudes variaram mais do que o apresentado na tabela.  Na medição utilizou-se a curva A/slow:

Música (piano tocando suavemente) -----------> 67dB-80dB
Música (trio masculino com acomp) -----------> 84dB-103dB
Música (sexteto masculino mom crianças) -----> 80dB-93dB
Música (grupo feminino suave) ---------------> 85dB-91dB
Música (grupo feminino forte) ---------------> 88dB-95dB
Música (grupo misto "Nós Te adoramos) -------> 86dB-97dB
Música (hino final, grupo e congregação) ----> 84dB-89dB
Música (instrumentos, piano bem suave) ------> 66dB-70dB
Música (instrumentos, piano e orquestra) ----> 70dB-78dB
Locução (leitura de ata) --------------------> 75dB-86dB
Locução (anúncios diversos) -----------------> 76dB-89dB
Locução (momento da criança) ----------------> 81dB-90dB
Burburinho (final, conversas) ---------------> 76dB
Burburinho (conversas e música gravada) -----> 89dB

Percebe-se da tabela acima que a média da música está dentro do limite médio de 85dB, o limite para se ouvir durante 8 horas.  Mas os picos chegaram diversas vezes a superar os 95dB, o que só pode ser tolerado por menos de 1 hora.  As locuções ficaram na ordem de 75-81dB, um valor bem razoável, mas teve muitos picos próximos de 90dB, suportável por apenas 2 horas.  Como os valores podem ser maiores, talvez seja necessário se fazer uma medição mais cuidadosa e completa.  O burburinho foi muito alto, o que indica que se deve tomar atitude para baixar o volume da música final e na conversa ou, alternativamente, dar algum tratamento acústico no local para evitar a ressonância tão intensa do som ambiente durante a conversa.

A frequência é uma outra questão que será tratada neste blog posteriormente.  Aguarde.

Abraços.

9 de março de 2011

O Som está ALTO???

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Existe muita informação na Internet acerca dos métodos de avaliação da intensidade do som.  Como definir a intensidade do som para que não fique alto demais é uma questão que devemos nos preocupar hoje em dia, já que, geralmente, os alto-falantes são utilizados.  Até os corais hoje utilizam microfones e amplificadores de som para aumentar o impacto e dar mais efeitos, brilho, reverberação etc.  Muitas vezes, entretanto, pelo uso dos alto-falantes, acompanhamento e vozes juntos produzem volume de som acima do desejado.  Mas quanto é (ou deveria ser) o esperado?  Vou falar neste post.

Forte ou fortissimo e piano ou pianissimo são expressões relativas.  Relativas, pois quando ouvimos um fortissimo no headfone de um ipod nós controlamos o volume.  Quando estamos assistindo a uma apresentação (acústica e ao vivo) de uma orquestra sinfônica, a intensidade depende do local do auditório em que estamos.  Quem está na fila do gargarejo vai ouvir maior intensidade que o ouvinte da última fila da arquibancada lateral.  Quem está tocando um violino ouve um som mais alto que alguém a 100 metros.  Então tudo é uma questão relativa.  Mas existe um parâmetro absoluto.

O artigo intitulado "How loud is your Church?" (utilize o link, se desejar) diz muita coisa interessante a esse respeito.  Por exemplo, diz que a OSHA (órgão de administração de segurança e saúde ocupacional) desenvolveu uma escala que depende do tempo de exposição a decibéis (dB) para que não se tenha dano ou perda auditiva.  Problemas auditivos produzidos por exposição a som alto incluem a surdez, zumbidos e perdas seletivas em frequências específicas.  No cálculo de dB é importante notar que cada 10dB somado multiplica o som em 10 vezes.  Então 70dB é 10 vezes mais intenso que 60dB e 100 vezes mais intenso que 50dB. Em português existe muita informação na Internet, como, por exemplo: "Engenharia do som", que eu recomendo para compreender aspectos físicos do problema.

Eu comprei um decibelímetro (level meter que nos EUA custa US$ 60 com os impostos) e comecei a testar a intensidade no meu dia-a-dia.  Nos lugares mais silenciosos por onde eu passo, à noite, o equipamento mediu 55dB.  De dia, no local de trabalho, 65dB.  Em casa, próximo à praia, 60dB.  No local de trabalho, onde há um grande aparelho condicionador de ar, dependendo da distância a ele, varia de 65 a 75dB.  Na rua do bairro da Urca, de dia, 75dB normalmente, mas quando um ônibus passa pode chegar a 95dB.  Dentro de um ônibus urbano no Rio de Janeiro, com grande barulho de motor e freios estridentes, cheguei a detectar ruídos de 105dB.

Danos à audição podem ocorrer após 15 minutos ouvindo sons acima de 110dB.  Isso é muito pouco tempo para um dano que pode ser permanente.  Um único tiro de arma pode causar dano.  No caso de música, ouvir headfone alto ou um coral cantando por uma hora a 100dB.  

Voltando aos decibelímetros, em "Everything you wanted to know about sound level meters", o autor explica que 0dB de nível de pressão de som (SPL), usado na escala dos decibelímetros, corresponde ao limiar da audição em condições especialmente favoráveis.  A calibração dos equipamentos é feita a 1kHz.  Existem duas variáveis a serem selecionadas nos decibelímetros: a ponderação da curva e o tempo de captação, duas opções para cada.  A curva pode ser do tipo A (mais ou menos como o ouvido humano ouve) ou C (para estudar a resposta real dos equipamentos) e o tempo pode ser rápido (0,125 segundos) ou lento (1 segundo).

No artigo "Worship sound basics: it´s a little too loud, but that´s ... good?" o autor disse que é melhor usar curva A e slow para medir o nível do som para o ouvido.  Os outros são para calibração de equipamentos, outro assunto.  O som, para ser ouvido numa vigília de 8 horas, por exemplo, não deve sequer atingir o nível de 90dB, para não haver dano.

O artigo "Safety first: how loud is too loud?" apresenta o seguinte: "muitos músicos com instrumentos elétricos frequentemente tocam alto demais para suas pequenas igrejas onde estão, resultando em uma mistura que leva a congregação para fora do santuário, e possivelmente para outra, e mais silenciosa, igreja.  (...) eu sinto a sua dor.  A maioria das pequenas igrejas tem a acústica projetada numa época em que se usava órgão de tubos e coral.  Infelizmente, isso simplesmente não funciona bem com a música cristã moderna, com o resultado final sendo músicos infelizes e uma congregação chateada.  Você [que trabalha com o som] fica preso no meio disso, tentando agradar todo mundo, incluindo o pregador."  A sugestão é comprar um decibelímetro e medir a intensidade dos equipamentos usados sem o som estar ligado, para saber o quanto é preciso amplificar.  Medindo o som de uma guitarra no meio do auditório, supondo ser esse valor de 100dB, o vocal precisa ser amplificado a 10dB para atingir 110dB, mas esse valor é muito alto, começando a destruir a audição nos primeiros 30 minutos de som.  Solução única: baixar o nível dos instrumentos-base para o máximo de 85dB, não podendo atingir 95dB o som mais alto do vocal.  A organização americana NIOSH (instituto nacional de segurança e saúde ocupacional) é mais conservadora que a OSHA, estabelecendo a tabela de audição por tempo abaixo.


Estou preocupado em mostrar que o equipamento decibelímetro é fácil de ser adquirido e pode ser muito útil para a saúde auditiva. Todos podemos ter boa audição e crianças frequentam o ambiente da igreja, sujeitas ao som que nós oferecemos. A operação do equipamento foi descrita com o intuito de mostrar que é simples, desejando eu que cada igreja valorize o assunto e se anime a adquirir um medidor de volume. Preocupe-se com a sua audição agora para não ter problemas mais tarde! Ah, e ia me esquecendo: abaixe o volume um pouco mais, ok?!



7 de setembro de 2010

Video do Coral

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(video adicionado por Roberto Dias)


Algumas apresentações de 2010:



Muito bom que o trabalho esteja fazendo com que muita gente possa ajudar a cumprir a nossa missão de levar as novas ao mundo. A música é capaz de ir aonde palavras deixam de ter lugar na mente. Só a música pode transportar alguém em instantes: permite uma profunda reflexão e pode atingir o coração. Parabéns pelo trabalho.

12 de maio de 2010

Musicalidade nata ou adquirida?

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O que muitas vezes falta na música que apresentamos é apenas a sua alma. Falta a alma da música... então falta a música, propriamente dita, certo? Uma imagem vale mais que mil palavras e um video vale mais que mil imagens. Veja um pequeno grupo cantando com vontade.



Estive recentemente nos Estados Unidos e, equivocadamente, acabei indo a uma igreja adventista de maioria negra. Mas foi muito interessante o valor que dão à música. Gostei do entusiasmo e do grau de relacionamento interpessoal. Todos se cumprimentam, todos cantam, todos se importam com os outros. Havia muitos visitantes, apesar de a igreja ser bem pequena (diria que havia pouco mais de 50 pessoas). Muita música... tanta que nem pude esperar pelo sermão, já que estava com passagem de volta marcada e precisaria voltar ao hotel para retornar para o Brasil, infelizmente. Saíram para saber por que eu estava indo cedo (12:40h). Deu para compreender musicalidade? Repare nas crianças. Resta a questão do título: a musicalidade é genética ou é o ambiente que a aprimora nas pessoas? Deixo para sua reflexão.

19 de março de 2010

Estude música

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Estude musica de maneira bem didática e simples. Quando o corista se aperfeiçoa no apredizado de musica faz uma contribuição muito grande para o coral. Não importa em que nível de conhecimento voce se encontra, tente sempre melhorar o que vc já sabe.

Ao lado tem um link: Para estudar musica
Se trata de um site muito bom, com uma abordagem bem didática e com exercícios praticos e fáceis. Dedique-se nas suas horas livres será muito bom pra você, para o Coral e para obra de Deus.

23 de fevereiro de 2010

Para que serve o maestro?

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Sobre a origem e necessidade do maestro:
  • O que nós chamamos de "maestro" é denominado "Konzert Meister" na Alemanha e "Concert Master" na Inglaterra (significa mestre do concerto).
  • Não havia maestro antes do romantismo: os pequenos grupos se entreolhavam e analisavam dinâmica e entradas.
  • No período barroco e clássico era necessário que um músico, o mais visível, conduzisse a orquestra.
  • Para marcar o tempo e o grande grupo saber o tempo começou-se batendo um bastão no chão.
  • O ruído das batidas no chão foi substituído por braços, mãos ou partituras enroladas (em forma de tubo) para os músicos verem.
  • O compositor Weber substituiu o rolo de partitura pela batuta, e hoje temos o maestro, ou seja, o mestre do concerto.
  • O maestro não é necessário quando um grupo é muito pequeno, ou seja, quando a uniformização da execução é fácil de ser obtida.
  • O maestro é o regente (dirigente musical).
  • Podemos dizer que num coral como o nosso o diretor é o equivalente ao "spalla" (ombro) = ombro direito do regente junto aos demais membros.
Veja outras curiosidades no site da OPESP.
 
 

Retorno às Atividades

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O retorno às atividades muitas vezes á árduo, porque a falta de ensaios leva os coristas ao esquecimento de detalhes técnicos do canto coral.  É extremamente importante seguir a regência, porque é nas mãos do maestro que se encontra o sincronismo e a sensibilidade.  A perfeição depende do esforço de cada corista.  A qualidade do grupo depende... do grupo, é claro.  A expressão e o refinamento na qualidade da execução estão nas "mãos" do regente.  É papel do regente dar vida à música.  Música que toca as pessoas é música com vida.  Mas se o grupo não segue o regente quebra-se o elo da corrente da perfeição.
 
Quando alguém está inseguro na música pode provocar: imprecisão no "ataque" da nota (atrasos e adiantamentos); flutuações na frequência (desafinações); e insegurança na intensidade (não seguir a determinação da regência na dinâmica).  Tudo isso faz com que os cantores vizinhos se desetabilizem numa reação em cadeia, porque quem está ao lado ao sentir algo "diferente" do esperado acaba se desconcentrando também.  Ao retornar é esperado uma queda na qualidade, que aos poucos deve se acertar. 
 
Para corrigir os problemas decorrentes dessa insegurança é necessário que cada corista tenha:
  • atenção exclusiva na regência; cada parada é seguida de importantes instruções às quais se deve estar atento;
  • ouvir sua própria voz, principalmente durante os vocalises, para fazer as pequenas correções necessárias;
  • fazer muitos exercícios de respiração, treinando os músculos a obedecerem e aumentando as reservas de ar;
  • decorar a sua parte da música, não dependendo de outra pessoa para cantar corretamente;
  • se possível, treinar em casa os vocalises e suas vozes e ouvir gravações das músicas;
  • querer estar no grupo.
Este último item é muito importante, porque é a vontade de estar em grupo que faz um coral avançar.  Se cada corista está satisfeito com o coral isso faz com que o coral cresça.  Não desanime e nem deixe que os seus companheiros de coral desanimem.  Lembre-se que todo estudo pode ser cansativo mas é a motivação que faz com que se tenha prazer no ensaio. 
 
Pergunto-lhe: ensaiar é bom?  É muito bom?  É a melhor coisa do mundo?  Por que?  Respondo: durante o ensaio cada corista precisa achar que estar ali é a melhor coisa do mundo, sim.  É a oportunidade de fazer com que o conjunto produza harmonia e se prepare para distribuir "sentimentos".  Música é sentimento e muda sentimentos.  É algo muito poderoso, muito mesmo!  Ao mesmo tempo o coral é mais complexo e pode fazer muito mais que um solista, já que se compõe de muitas pessoas.  Mas é difícil ajustar os timbres, afinações, intensidades e gostos.  Esso é o desafio: cante um uníssono como se houvesse apenas uma voz. 
 
A música é muito importante na liturgia quando é cantada com devoção porque prepara atinge o coração.  O canto gregoriano era baseado no texto e os cantores nunca podiam se destacar ou destacar.  A música era a mais uníssona possível, como se as várias vozes fossem uma só pessoa cantando, com uma letra claramente compreendida.  Com harmonia é preciso que cada voz seja "uníssona", ou seja, o mais uniforme possível, o que é conseguido após muitas horas, dias e anos de estudo.  Os monges gregorianos ficavam horas por dia cantando e atingiam com isso uma uniformidade fantástica.  Num coral precisamos manter a uniformidade dentro do naipe mas a harmonia dentro do grupo e existem instrumentos para facilitar isso.  Os instrumentos devem seguir a regência e fazer a dinâmica de igual modo, reforçando o efeito e auxiliando o coral a atingir o estado ideal.
 
Então, depois de tudo isso, mãos à obra!
 
 

23 de janeiro de 2010

Ajustando a sonoridade da voz (para o coral)

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Uma lição muito interessante que gostaria que cada corista aprendesse é a sutileza de causa e efeito que movimentos e posições do sistema fonador, incluindo língua, pálato, garganta e diafragma, produzem no som. Um exemplo claro da importância da língua para mudança da sonoridade da voz, que um coral tanto busca, é mostrado no video abaixo. O som anasalado é conseguido com a língua próxima ao céu da boca, enquanto um som muito mais cheio de harmônicos (e menos nasal) é conseguido com a posição de bocejo. Veja o professor e, se souber inglês, ouça a explicação. Se quiser, ajude-me escrevendo em comentário o resumo do que ele diz.



 
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