26 de junho de 2014

É bem devagarinho... que as coisas mudam!

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Uma mudança brusca na tradição causa um choque, o que chama a atenção de quem está habituado com uma prática.  Com essa ideia geral do mecanismo de defesa de mudanças, sejam elas positivas ou negativas, pode-se ter uma visão do cenário das mudanças até hoje das músicas litúrgicas.

Prestar um culto de adoração a Deus não é o mesmo que realizar um trabalho evangelístico capaz de convencer pessoas a estudarem a Bíblia, embora ambos tenham elementos comuns. A adoração é algo muito sério e profundo, cuja relevância e reverência são explicadas por toda a Bíblia. Há passagens que podem assustar o leitor da Bíblia devido à importância dada por Deus a certos detalhes, tendo havido pessoas que morreram por não agirem conforme deveriam.

Vou tentar introduzir um sofisma que tenho ouvido muito, para tentar explicar o meu ponto de vista sobre a evolução da música na liturgia das Igrejas.
  • Antigamente, quando a música ainda era a que muitos conhecem como "tradicional", houve muito problema pelas tentativas de modernizações musicais diversas; muita gente, na ocasião, se escandalizou porque algumas igrejas permitiram uma evolução "avançada" da música, o que foi considerado, então, como um tipo de "mundanismo" que estava atingindo as Igrejas. 
  • Na Igreja Adventista isso se refere a acontecimentos que se refletiram em mudanças das músicas proporcionadas por grupos muito conhecidos, como, por exemplo: The King's Heralds Quartet, Heritage Singers, Arautos do Rei, o desaparecimento de grandes e conhecidos coros e o surgimento de uma nova onda de coros chamada de "Coros Jovens" em todos os lugares (cuja característica não está na juventude dos integrantes, mas na modernização da música).
  • Quem viveu aqueles episódios de mudança presenciou uma grande revolta e luta cotra a evolução por entender que o mundano invadia o sagrado.
  • Passadas algumas décadas, podemos reviver a história e estudar o motivo dos debates que ocorrem hoje sobre a mudança da música, quando os tradicionalistas querem manter o que é considerado hoje a referência como sendo a música sagrada adequada ao culto e a modernização como sendo obra do mal.
  • Comparando as músicas ditas "tradicionais" com as "modernas" condenadas há três décadas, vê-se que são as mesmas! 
  • Assim sendo, fica claro que o caso é subjetivo, depende exclusivamente do costume do ouvinte e Deus não tem um padrão único de referência, mas aceita a evolução, que ocorre apenas na mente do ser humano.
Os argumentos acima parecem baseados em silogismos, mas não são. Mas onde está o erro lógico?  Apresentarei algumas ideias:
  • O culto a Deus é absolutamente solene.
  • O canto precisa ter fôlego e entendimento (1Co 14:15)
  • A música não envelhece assim como a Bíblia continua atual.
  • As pequenas variações não são sentidas (efeito "sapo-na-panela").
  • Após vários anos de pequenas variações, algumas músicas que foram "corinhos" condenados apresentam-se como "hinos" aceitáveis, mas isso não comprova que a sua aceitação seja comparativa, pois pode ter havido uma degradação, embora ainda seja "aceitável" considerando-se os prós e contras.
  • O uso de percussão tribal que vem sendo inserida na música religiosa atual (gospel) não produz nenhum efeito benéfico (qual seria?).
  • Existem membros evangélicos que são tão aversos às mudanças, inclusive dos corinhos-hinos enxertados nos hinários, que são taxados de fundamentalistas, radicais e retrógrados, não havendo hoje lugar para sequer se expressarem, sendo anulados -- razão porque não ouvimos nem temos acesso às suas opiniões.
O importante não é haver sempre músicas diferentes com novos efeitos e novas formas, mas o fundamental é que a música tenha a capacidade de tocar em cada adorador e fazê-lo ficar mais perto do céu, venha a música sendo executada há muito tempo ou não.  Se é isso o que a música faz, ela está correta.  Mas se afastar o ouvinte da mensagem ou adicionar  distrações ou mesmo deixá-lo boquiaberto com a música ou a execução em si, não é adequada, pela definição bíblica. Então, não é a música inédita, nem a música "interessante", nem a música complexa, nem a virtuosidade do músico, mas a capacidade de manter a mente da igreja em Deus o que importa.  Esse precisa sempre ser o termômetro.

Se é uma questão de opinião, e cada um tem a sua, a música não tem referencial absoluto?  Eu penso que sim, pois há elementos bíblicos para orientar algumas características da música de adoração, embora não todos.  Que existe uma enorme variedade de possibilidades, isso é verdade, mas existem limites que podem se tornar claros ao nos aprofundarmos.  

No nível em que eu cheguei até este momento, eu diria que a semelhança com o rock e com o jazz, conforme estabelece a orientação da nossa igreja, é um forte parâmetro que precisa ser seguido.  Como a maior parte da música secular/popular é rock com todas as suas derivações, a música dentro da igreja deveria se afastar totalmente desse padrão.  

O excesso rítmico padronizado do rock (e do samba, da música africana ou de terreiro) inexiste em toda a riqueza dos milhares de padrões distintos que há na música erudita, que é incontestavelmente mais adequada.  A inserção constante de novas músicas não invalida as anteriores, mas algumas apresentaram características tão marcantes que passaram a ser copiadas -- o que é o caso do rock, que precisa da bateria, motivo porque eu evito ao máximo este instrumento, mas que por si só não seria inadequado.  

Portanto se você busca uma sincera adoração, reflita: a música hoje é mais reflexiva e nos faz querer ouvir mais as mensagens ou mexem com nossas emoções, nos dando prazer e provocando em nós vontade de continuar ouvindo (e comprando) os CD, DVD, Blu-Rays com o músico X, Y ou Z?  Eis a questão. Se a música de hoje parece adequada para você, seja honesto com a sua consciência. Pense, estude e ouça. Você pode fazer a verdadeira diferença... fugindo da moda... se for o melhor, estou sugerindo mesmo que você seja, portanto, antiquado.

23 de abril de 2014

O que está acontecendo com a adoração?

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Adorai e cantai hinos de louvor a Deus

Adoração não é cantar, mas é reconhecer a superioridade de Deus sobre nós (veja link). Pode ser pessoal ou coletiva, mas é preciso que se faça com o coração. Em Apocalipse 5:11-12 bilhões de anjos, animais e anciãos dizendo que "o cordeiro que foi morto é digno de receber o poder, riquezas, sabedoria, força, honra, glória e ações de graça". A bíblia, por diversas vezes, nos exorta a adorarmos, darmos glória, cantarmos hinos, louvarmos e bendizermos o nome de Deus.  Mas não significa que adorar é algo exclusivamente ligado a música.

Da mesma forma, o que está escrito no Salmo 150 não estabelece uma ligação biunívoca entre o louvor e a música -- e nem restringe o louvor a algo que somente deve ser feito na casa de Deus.  O conceito é muito mais profundo que isso (veja o significado de louvor neste link). O Salmo 150, resumidamente, apresenta que o louvor a Deus pode ocorrer de distintas formas:
  • no seu santuário e no firmamento
  • pelos atos poderosos e por sua grandeza
  • ao som de trombeta, com lira e harpa
  • com tamborins e danças
  • com instrumentos de cordas e flautas
  • com címbalos sonoros e ressonantes
  • tudo o que tem vida louve ao Senhor
Os principais comentaristas bíblicos (indico o software gratuito com todos os comentários bíblicos, no link) consideram que o que importa não é a lista dos instrumentos apresentada no Salmo 150 -- pois o objetivo do texto não é dizer que um ou outro instrumento pode ser usado dentro da igreja --, mas que todo homem -- e muito além disso: que "tudo o que tem vida" -- louve ao Senhor, seja numa igreja, seja junto ao trono de Deus ou mesmo em qualquer lugar. A deslumbrante grandeza da criação é visível no céu que vemos diariamente: o nosso Deus é, mesmo, muito poderoso! Tudo sempre louve a Deus.

Adorações modernizadas

Existe um vídeo que tem sido comentado e criticado (compare as práticas estranhas em relação à tradição litúrgica evangélica) relacionado à polêmica Igreja Batista da Lagoinha (ver video 1: link):

Vídeo 1.  Aonde a revolução do culto evangélico está nos levando. 

Os comentários criticando o vídeo acima variam desde os que acham que houve excesso até o extremo dos que acham que houve um ritual satânico (leia comentários do link do vídeo).  De qualquer forma qualquer cristão em busca de Deus não deve achar que o Vídeo 1 representa o interior de uma igreja num momento de sagrada reverência e adoração a Deus (mas é claro que o assunto é subjetivo e depende do grau comunhão do crente). Não parece ser atitude condizente com a Bíblia.  Nunca Cristo fez algo desse tipo, nem poderia se agradar de música desse tipo.  A música de fundo -- repare -- é rock, e muitos estão considerando isso o louvor atual com adufes e címbalos retumbantes do Salmo 150. Melhor estudar especificamente o assunto. Novamente recomendo um estudo completo e sincero de O Cristão e a Música Rock (livro do Dr Bacchiocchi disponível neste link, que trata do assunto).

Adotar música rock modificada na adoração é sintoma claro da perda do sentido do significado de "sagrado" (link). A igreja Adventista do Sétimo Dia repudia o uso de música rock ou jazz, ou ainda de músicas que se assemelhem a essas, na igreja e ainda recomenda que nem fora da igreja esse tipo de música seja ouvida por cristãos (link). Assim, fica claro que a música da igreja (i.e., música sacra) deve ser uma música especial, especialmente relacionada com música de coros e da congregação. Apenas um pequeno grupo de levitas selecionados formava o coro que cantava as músicas sagradas.

Para alcançar pessoas avessas a cultos e igrejas, existe o projeto "Nova Semente", cuja meta é apresentar uma linguagem e uma roupagem secular, relaxando exigências na casa de Deus e permitindo que cada um se expresse do seu modo.  Deste modo pode-se, ao mesmo tempo, ouvir da Bíblia e adorar a Deus.  Infelizmente, dentre outros, ocorrem dois grandes efeitos colaterais com essa implantação:
  1. o projeto acaba influenciando a igreja regular: os membros e pastores de muitas igrejas regulares acham que a forma de adorar a Deus mudou e adotam conceitos secularizados dentro do ambiente sacro do culto, provocando conflitos e mudanças na casa de Deus; e
  2. o hábito cristaliza o transitório: a referência do que é um santuário se perde e as pessoas habituadas à "adoração secular" não mais aceitam as instruções divinas, passando o relativismo a reger os pensamentos e decisões dos níveis mais baixos aos mais altos dentro da igreja, inclusive para as igrejas "regulares".
A Nova Semente introduz na IASD o momento de louvor por um grupo de louvor (um pequeno grupo de jovens que cantam com microfones em pedestais, à semelhança estética de grupos de MPB). Disposição bem conhecida da cultura musical brasileira!  Além disso colocam instrumentos de banda, que sempre foram estranhos à adoração, próximo ao lugar onde geralmente fica o púlpito.  Mas o objetivo é fazer as mentes secularizadas se sentirem "em casa". Num primeiro momento, fica uma proposta diferenciada das outras igrejas, mas com o tempo, as outras igrejas começam a buscar a fórmula de sucesso (popularidade e prosperidade) e, assim, a secularização adentra a igreja e muda os costumes.  

Uma evolução por etapas

Veja como a nova proposta está modificando o tradicional e a realidade atual de quem busca uma pura, perfeita e solene adoração é a total falta de opção! Tente encontrar na internet um vídeo solene de um culto de adoração: é muito difícil!  A tradicional igreja católica tem evoluído e se modernizado.  O vídeo 2 apresenta um raro ambiente que bem ilustra o que é um ambiente propício à adoração pela música.

 
Vídeo 2.  Música religiosa com coro, orquestra e solo. 

Repare que não há microfone para o coral e nem encostado na boca do solista. Não há gesticulações nem do solista nem coreografia do coro e há um total equilíbrio entre solista, coro e orquestra. Não há agressão aos ouvidos e a música é suave e agradável... um cheiro suave.  Era assim que deveríamos estar: era nessa direção que outrora caminhávamos! 
A proposta de que Deus não vai fechar os ouvidos para o louvor sincero, mesmo com a mudança global que ocorreu nos últimos séculos, em que a música secular com novos ritmos, novos instrumentos e novas tecnologias permitiu que uma nova realidade rompesse com a tradição litúrgica de outrora, deve ser analisada com muito cuidado. Deus nos ama e aceita o louvor feito com o coração... mas continuamos obrigados a examinar as escrituras e Deus continua não aceitando a "oferta de Caim".  O vídeo 3 é um novo formato, já com a proposta de atualização que dominou todos os meios evangélicos do mundo ocidental e apenas um pequeno grupo de cristãos tradicionais insistem no resgate do conceito tradicional e fundamentalista do padrão litúrgico dos cultos. 

Vídeo 3.  Louvor atual de todas as igrejas evangélicas (do mundo). 

O vídeo 4 pode ser um momento de descontração, mas não há justificativa em misturar ritmo irreverente com letra de louvor a Deus, mesmo que com a alegação de simples entretenimento.  Embora Deus seja amor, a Bíblia trata sempre com muita solenidade e seriedade o assunto e exige atitude e postura retas. O objetivo deste post não é o de julgar, mas o de fazer com que os membros das igrejas evangélicas pensem muito no que está acontecendo.  Comparem, estudem, orem e pensem se é isso o que Deus quer de nós e da nossa igreja.  Os líderes precisam refletir e buscar uma reforma para o realinhamento da direção (na qual uma vez já estivemos).
Vídeo 4.  Irreverência perante Deus.

O vídeo 4 é uma consequência natural e considerado aceitável pelos que frequentam o ambiente desse projeto.  Vários fatores contribuem para essa permissividade: o uso da bateria com o ritmo rock, a aceitação de melodias e ritmos dançantes, o uso de guitarras e pedais de forma inadequada e o dia-a-dia em contato com os grupos de louvor seduzem o homem pela música.

A dança

Davi dançou. Isso não significa que podemos dançar. Quem era Davi? Homem de guerra. Matou, mas não devemos matar. Dançou (estava fora do templo, usou estola sacerdotal e despiu-se, cf. link), mas não foi imitado por seus sucessores, e a dança não deve ser praticada na igreja.

O motivo do afastamento

O projeto da Nova Semente propõe adaptar o culto à realidade pós-moderna, ou seja, à evolução cultural e aos valores seculares atuais. A igreja vai poder falar a mesma linguagem do mundo para levar o mundo ao conhecimento de Deus. Mas essa adaptação não tem um real amparo bíblico e, na verdade, o projeto está, indiretamente, fazendo com que a Igreja Adventista se modifique e se aproxime de todas as outras igrejas -- e, em especial, daquela do vídeo acima. A proposta é de usar música ("rock-gospel") de qualidade com pregações feitas por excelentes pregadores (pastores eloquentes e profundos), num ambiente de música e práticas que flexibilizam a realidade do mundo.  O aparente "grande negócio" é, na verdade, um projeto (não-bíblico) flexível em todos os aspectos dos cultos (i.e., programas-show), inclusive na música rock-total (veja link).  Um dos efeitos colaterais é a imitação pelas outras igrejas adventistas "não-secularizadas", misturando os conceitos e trazendo confusão e discórdia na igreja.

Conclusão

Volto à pergunta inicial: o que está acontecendo com a adoração?  Respondo: o mesmo que acontece com a música, só que com a música podemos ver mais facilmente: secularização.  Pensemos melhor na direção que estamos tomando.  Poderemos um dia perceber que estamos indo no sentido errado, mas será tarde demais para anular os efeitos nocivos.  Quando a IASD estiver tal e qual todas as outras evangélicas com músicas gospel idênticas, então será muito mais difícil corrigir a geração que só conheceu essa nova realidade!  A adoração é algo para Deus.  Não vamos dar a Deus o que o homem quer, mas o que Deus quer. Vamos buscar na fonte e descobrir.

30 de setembro de 2013

Quebrou o metrônomo!

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Segundo o dicionário online Aulete, que costumo usar, metrônomo é um instrumento, geralmente com um pêndulo, para marcar o compasso, inventado no século XIX pelo austríaco Johann Nepomuk Maelzel (1772-1838).


É (ou era, já que tem caído em relativo desuso) um aparelho muito usado pelos músicos para ajudá-los a tocar de forma precisa (ou exata) os andamentos, até que o andamento se tornasse incorporado automaticamente ao músico, fazendo-o conhecer instintivamente o andamento e manter, sempre que necessário, um andamento constante.

Antigamente o metrônomo era um aparelho com custo relativamente alto pelo que fazia e, para usá-lo, bastava ver na partitura qual era o andamento e ajustar a posição do peso na haste do pêndulo dentro do intervalo que continha a identificação nominal daquele andamento. Assim, o "tic-tac" do metrônomo se mantinha no andamento previsto pelo compositor. Como limitação, não era possível modificar esse andamento: era o mesmo do início ao fim.  Hoje as músicas (inclusive as gravadas em estúdio) costumam basear-se numa base de andamento constante (a menos de alguns raros ritardando. Claro que isso somente poderia ser usado no estudo, porque cerceia muito a expressão: não permite mudar de andamento durante a música, exceto por curto espaço de tempo para executar fermatas ou outros modificadores pontuais (ritardando, accelerando etc).

A Wikipedia em inglês apresenta os tempos convencionais da seguinte forma:

Vagaroso:

  1. Larghissimo - muito muito lento (19 bpm e abaixo)
  2. Grave - lento e solene (20 a 40 bpm)
  3. Lento - lentamente (40 a 45 bpm)
  4. Largo - amplamente (45 a 50 bpm)
  5. Larghetto - um pouco amplamente (50 a 55 bpm)
  6. Adagio - lento e imponente (literalmente, "a vontade") (55 a 65 bpm)
  7. Adagietto - um pouco lento (65 a 69 bpm)
  8. Andante moderato - um pouco mais lento que andante (69 a 72 bpm)
  9. Andante - em ritmo de caminhada (73 a 77 bpm)
  10. Andantino - levemente mais rápido (as vezes mais lento) que andante (78 a 83 bpm)
  11. Marcia - moderato calmamente na forma de uma marcha (83 a 85 bpm)
  12. Moderato - calmamente (moderadamente) (86 a 97 bpm)

Apressado:

  1. Allegretto - moderadamente rápido (98 a 109 bpm)
  2. Allegro - rápido, apressado e brilhante (109 a 132 bpm)
  3. Vivace - animado e rápido (132 a 140 bpm)
  4. Vivacissimo - muito rápido e animado (140 a 150 bpm)
  5. Allegrissimo - muito rápido (150 a 167 bpm)
  6. Presto - extremamente rápido (168 a 177 bpm)
  7. Prestissimo - ainda mais rápido que Presto (178 bpm e mais rápido)

De imediato vemos que existem muito mais casos de andamentos vagarosos que apressados. Mas a subjetividade do significado da indicação de andamento, que depende do tipo de música, modificou bastante a correlação e interpretação das músicas. Compare as indicações acima com as existentes no link do Metronome Online (onde se pode ouvir imediatamente os andamentos em bpm). O andamento central é o MODERATO, com valores da ordem de 92 bpm.  No Metronome Online o centro do moderato é 112 bpm, o que não parece corresponder a uma caminhada exatamente calma e moderada. Pense no tic-tac do metrônomo mais como o toc-toc de um "sapato". Veja que o som está bastante apressado (ou seja, ALLEGRO).  Assim vemos a tendência, talvez devido à aceleração do estilo de vida moderno, de acelerar as antigas referências de tempo.  Ainda assim parece que o limite inferior usual gira em torno de 70 bpm, mesmo quando há uma indicação precisa de unidade de tempo registrada abaixo de 60 bpm.

Concluindo, acho que os músicos precisam revisar os conceitos de andamento.  O famoso "tempo" na música acelerou. O metrônomo nem tem mais vez, já que agora tenderia a ser usado apenas na região inferior da haste, ou seja, onde os tempos são mais rápidos.  Seria necessário fazer uma nova conversão dos andamentos, da forma como estão sendo executados por muitos músicos hoje, que é algo como o indicado abaixo:
  1. Quase parando (70 bpm)
  2. Muito lento (85 bpm)
  3. Normal (um valor fixo e constante entre 90 a 120 bpm)
  4. Rápido (acima de 130 bpm)
Embora eu não tenha feito efetivamente uma pesquisa sobre os andamentos, isso é o que se percebe das músicas e de muitos músicos atuais. Para evitar uma simplificação tamanha e um ritmo tão acelerado, pense na razão porque antigamente havia mais andamentos lentos diferenciados por indicativos de tempo que rápidos. Faço um apelo a todos que vejam a música como uma arte que precisa ser melhor apreciada. Acelerando as execuções de tudo perde-se a duração de cada nota e passa-se a ver apenas o "contorno" da música.  Conserte o seu metrônomo. A-p-r-e-c-i-e a música.

19 de maio de 2013

Os Efeitos da Música

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(Adaptado de: edition.cnn.com/2013/04/15/health/brain-music-research e edition.cnn.com/2012/05/26/health/mental-health/music-brain-science

Para responder se a música tem poder real sobre o homem e que efeitos podem ser observados, pesquisadores têm feito estudos relacionados ao prazer de ouvir música. Ainda não se sabe que processos químicos ocorrem exatamente ao ouvir música, mas as pesquisas estão indicando que ouvir música traz benefícios psicológicos (e.g., música tem dado bom resultado na substituição de anti-ansiolíticos antes de cirurgias). Também tem sido verificado que a música aumenta a imunidade e aumento de células que defendem nosso corpo de germes e bactérias. 

Estudos da relação de música e de uma parte do cérebro que forma expectativas demonstrou que quanto mais a música ativa essa parte do cérebro, mais os ouvintes demonstram gostar da música. Além dessa, outra parte do cérebro registra o contato com gêneros de música durante a vida, e o conhecimento prévio de padrões influencia a apreciação ou não pela música, baseada na experiência anterior da pessoa. Assim, diferentes pessoas poem o foco de suas atenções em detalhes ou partes diferentes, de acordo com suas particularidades, resultando em gostos diferentes, mas conclui-se, cientificamente, que todo cérebro faz uma análise muito similar, tendo-se observado sincronismo na localização das atividades cerebrais durante a audição de uma música desconhecida dentro de um grupo de pessoas estudadas. Essa similaridade indica que há uma similar percepção e que existe um nível da música que afeta da mesma forma todas as pessoas. Também os estudos mostram que a música não é um sinal meramente processado no cérebro, mas induz atividades cerebrais em diversas partes do cérebro envolvidas em movimento, atenção, planejamento e memória. 

(Daqui em diante, adaptado de Music: It's in your head, changing your brain

A música facilita a memorização da letra. Tocar música excita o cérebro de forma que jamais seria exercitado de outra forma, portanto podemos dizer que a música é algo necessário à humanidade. Quem não costuma apreciar música e evita ouvir música está fatalmente deixando de dar uma série de estímulos importantes ao cérebro, relacionados a outros aspectos das atividades humanas. 

Partes de músicas que "ficam presas" (ou "grudam") no ouvido são chamadas de "vermes do ouvido" ("ear worms"). Podem ser consideradas partes lindas ou horríveis, mas o cérebro parece querer repeti-las indefinidamente e parecem que nunca mais vão sair de lá. Um modo que pode, às vezes, resolver as repetições dessa memória musical de partes simples e pequenas, retirando-as da memória instantânea, é buscar outras músicas. Os cientistas acham que isso pode se dever a um "loop" físico nos circuitos neurais, mas ainda não há estudos definitivos sobre o assunto. Sabe-se, apenas, que esse fenômeno pode até causar problemas sérios de perda de concentração, mau-humor e ansiedade. 

A repetição no estudo da música permite que o cérebro grave a sequência, após inúmeras repetições, gravando músicas inteiras, mas existem pontos específicos para iniciar a execução de uma música. É comum vermos pessoas se perderem e terem que repetir tudo do início ou de um ponto distante. Os dedos de um pianista seguem a sequência gravada nos neurônios do cérebro e reforçados pela repetição. A música tem a capacidade de provocar prazer, liberando, no cérebro, dopamina após 10 a 15 segundos do estímulo considerado o clímax musical do prazer. 
Macacos não são afetados por ritmos "dançantes", embora alguns pássaros dancem ao som de batidas ritmadas. Estudos demonstram que o ritmo influencia na cooperação de tarefas e que pode, também, ajudar pessoas com doenças neurológicas (pessoas com Parkinson andam melhor quando ouvem músicas ritmadas; e pacientes com Alzheimer melhoram suas lembranças). O ritmo tem efeitos bastante poderosos e estimulam determinadas partes do cérebro. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Existem evidências científicas: 
  • de que a música tem um forte relacionamento com o cérebro; 
  • de que algumas partes dos estímulos afetam todas as pessoas da mesma forma; e 
  • de que o padrão rítmico repetitivo (música ritmada) é muito poderoso e pode ser utilizado como terapia no tratamento de doenças. 
Por essas evidências, no contexto da música religiosa, as músicas escolhidas para os cultos devem ativar as partes do cérebro "corretas" para a adoração. Isso, como demonstrado pelos estudos, não é algo totalmente relativo nem dependente exclusivamente da cultura. Existem fatores sonoros físicos que devem ser observados, principalmente com relação ao ritmo da música. Que instrumentos de ritmo adicionais e como devem ou não ser utilizados, é algo que precisa ser muito ponderado pelos dirigentes do programa, não é uma mera questão de gosto: é relativo ao verdadeiro poder da música.  Estude o assunto e, para agradar a Deus, faça as escolhas certas.

17 de dezembro de 2012

Posso Vender o Meu Louvor?

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A quem eu adoro?  Por que eu vou à igreja?  Por que canto músicas no culto?  O que é culto?  Já pensaram nessas perguntas e no que elas significam?  Se você é cristão e vai à sua igreja por hábito, pode ainda não ter parado para pensar profundamente nesse assunto sério.  Vou comentar brevemente esse assunto.

Eu já decidi que a Deus tudo o que eu faço em sua casa deve ser santo.  Santo é separado, exclusivo, apenas para Deus.  Então procuro me concentrar e dar oferta de tudo o que recebo.  Se o meu dízimo e as minhas ofertas destinam-se à manutenção da igreja, dos pastores, do suporte aos missionários, às missões e de tudo o que precisa de recursos para avançar na pregação do evangelho, o dinheiro é a oferta pelo que recebo.  É uma simples "devolução" parcial em gratidão, e eu ainda devo verificar se está mesmo sendo empregado corretamente.  Mas quando a nossa vida vem sendo abençoada também com talentos, esses talentos não estavam contidos nos dízimos e ofertas, porque dinheiro não paga talento; devemos ser igualmente gratos e devolver o que recebemos em dons, dando gratuitamente a Deus nos cultos.  Mas se dermos mesmo gratuitamente a Deus, então passa a ser de Deus e não podemos vender, nem cobrar por compras de CD no final dos cultos: não parece que assim seria gratuito, não é?!

Até aqui, acho que todos concordam que devemos contribuir, participar, ajudar a fazer o "corpo" viver (somos "unidos no corpo de cristo"). Mas se eu estou dando a Deus, simultaneamente posso vender aos homens?  Alguém pode cobrar pelos seus dons?  Um músico que, claro, vive da música no seu dia-a-dia, durante o culto pode (ou deve) cobrar pelos seus serviços?  Se cobrar, não estará vendendo o louvor, que deveria ser uma doação?

Pois bem, muitos -- não todos -- concordam comigo nesse ponto.  Mas indo além, reflitamos: parece bem razoável que um músico possa gravar suas músicas religiosas, cantadas com toda a técnica e conhecimentos musicais adquiridos.  Vende seu CD e seu DVD a um preço de mercado.  No momento da compra, o comprador está financiando um projeto.  Mas as leis dos homens protegem os direitos autorais, inclusive, neste caso, para uma música de louvor!  Então eu penso que começa a surgir um pequeno problema: se o objetivo for financeiro, aquilo não seria mais um louvor a Deus, mas um produto.  Assim surge um dilema: o CD pode ser copiado?  Se for copiado e entregue a um amigo, com a melhor das intenções, para evangelização: essa transgressão das leis dos homens seria pecado para Deus?! Vou me atrever a responder que "não"!  Mas isso iria causar um problema legal, por que as leis de direito autoral protegem o autor.  Mas Deus exige que sigamos a lei (quando disse para dar a César o que era de César)?

Sei que a tendência natural daqueles que lerão este post será achar que eu estou misturando as coisas.  Ma peço-lhe que reflita, à noite, sozinho neste assunto.  Agora direi qual foi a minha conclusão sobre esse assunto: se o louvor for genuíno (gostaria de acreditar que posso incluir os músicos e as gravações oficiais das lideranças das igrejas nesta hipótese) sempre deveria ter impressa ou tácita uma cláusula cristã do tipo:

"este produto é para Deus e vendido aos homens; é proibida a revenda ilegal; mas se você copiar para ouvir em sua casa, sua igreja ou outro lugar, não estará pecando nem cometendo nenhum crime; distribua livremente; mas se preferir contribuir com este ministério, nos ajudando a disponibilizar novos produtos, faça doação a (...) ou mesmo adquira as cópias originais; que Deus te abençoe em qualquer caso.

Infelizmente é raro vermos algo assim.  Pense no que você está fazendo com o seu talento.  Se Deus está dando, ele pode abençoar você, mesmo que você não tenha fé. Só não se esqueça das palavras que você mesmo, músico, está gravando.  Seja coerente.  Não venda o seu louvor por 30 pratas.

6 de agosto de 2012

Devemos Adorar a Deus Através da Dança?

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Autor: Pr. Ciro Sanches Zibordi
 
Destaques:
 
"As danças de Miriã e Davi foram parte da comemoração de uma vitória. Não devem ser vistas como parte integrante de um culto litúrgico — aliás, Davi depois ofereceu um culto a Deus sem dança! Embora o Senhor não tenha rejeitado aqueles gestos e manifestações pessoais, isso não é uma justificativa para se introduzir na casa de Deus ou no culto ao Senhor (independentemente do local) todo tipo de arte ou manifestações corporais do mundo, como coreografias, balé, shows de rap, street dance e bailes como parte da liturgia. Além disso, aquelas danças isoladas não respaldam as chamadas "baladas gospel" e outros modismos da atualidade."
 
"Sabemos que há diversidade de ministérios (I Coríntios 12:5), porém não nos esqueçamos de que isso alude à maneira multiforme de o Espírito Santo atuar. Essa menção de modo algum apóia todo e qualquer ministério inventado por pessoas que querem fazer prevalecer as suas preferências pessoais. A despeito de a Bíblia não apoiar o chamado ministério da dança, existem grupos chamados de ministérios de dança e coreografia nas igrejas (coreografia é uma forma de dança também!), formados por pessoas sinceras. Mas repito: não há no Novo Testamento nenhuma passagem que apóie a introdução da dança no culto público e coletivo. Isso é uma influência do secularismo, uma palavra mais suave para mundanismo (Romanos 12:1,2; I João 2:15-17; Tiago 4:4)."

 
Artigos, documentos, entrevistas e livros sobre música sacra
Visite e divulgue: http://www.musicaeadoracao.com.br
Veja também: http://musicaeadoracao.blogspot.com/
 
[Estou colocando o texto recebido por email neste blog]

14 de julho de 2012

Órgão de Tubos

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Houve um tempo em que as igrejas tinham o órgão como o máximo em termos de música.  Naquela época os melhores templos eram construídos com uma arquitetura que colocava o órgão como referência, geralmente em primeiro plano.  Os templos eram grandes, com espaço para grandes corais, podendo, os maiores, chegar a reservar um local de destaque para grandes corais e orquestra.  Mas, como ocorreu com tantas outras coisas no final do milênio passado, tudo foi simplificado.  Antes as pessoas tinham relacionamento mais presencial, sentavam-se em rodas (contaram-me meus pais), liam ou contavam estórias, recitavam e cantavam, dormiam cedo e acordavam cedo.  Trabalhavam para ganhar dinheiro e buscavam estabilidade no trabalho, sendo valorizada a capacidade de produção.  A palavra era o compromisso e cumprir a palavra era questão de honra.

Mas isso tudo foi mudando: os costumes, a música, os valores e, com isso, as regras.  A família de hoje não é a mesma de 50 anos atrás.  Antes, os pais ensinavam os filhos a se comportarem bem, mesmo que usassem a força. Hoje a sociedade condena a "violência" dos pais. Uma promessa de venda era fechada pela palavra, ainda que outra oferta fosse feita posteriormente, o compromisso era sempre cumprido, porque era uma questão de honra, e honra era valorizada.  Hoje a honra nesse sentido não existe e quem não exige um contrato assinado é que se torna o errado.  Antes as pessoas se reuniam em família e hoje cada um, a começar pelos filhos que exigem sua independência no início da adolescência, tem o seu canto e suas atividades.  Ninguém toma café, almoça ou janta junto.  As esposas tinham um papel na família, onde eram responsáveis pela estabilidade do lar, cuidavam dos filhos, administravam os bens -- que então eram comuns -- e não precisavam trabalhar fora de casa para completar o orçamento familiar.  Antes homem e mulher formavam um casal e tinham filhos.  Hoje, isso é considerado uma das "opções".  

A culpa, incrivelmente, é atribuída à ciência e à evolução tecnológica, social e total. Quando havia a noção completa de família, o homem era o responsável pelas finanças (o provedor) e era quem tinha que buscar o sustento fora de casa. A mulher era responsável por cuidar do pessoal (administrava os membros em todos os aspectos), montando a base do lar, que sempre estava ciente de tudo o que cada um fazia.  Movimentos feministas motivados por alegações de preconceito generalizado contra a mulher moderna, que buscava uma vida independente, sem precisar se vincular a um marido e que gostaria de ter os mesmos direitos e condições de estudo e trabalho que o homem.  A argumentação era muito convincente, mas o resultado foi a generalização do desmoronamento familiar completo.  Os casamentos começaram a ruir pela ausência do marido e mulher, que passaram a trabalhar.  O mercado de trabalho tornou-se saturado e o salário teve que ser consequentemente reduzido para se adequar à nova realidade, onde cada um somente supre a sua parte.  A parceria deixou de existir, os filhos ficaram desamparados, removendo-se o forte vínculo que havia.  As famílias, portanto, perderam o maior elo que havia. Assim, a família perdeu o seu papel num círculo vicioso que arrastou a todos.  Hoje se uma filha pensa em cuidar de sua família será taxada de irresponsável por querer viver sozinha ou arruinar a vida financeira de sua família.  A possibilidade de se casar e cuidar da família não é mais uma opção, conforme o conceito atual da sociedade brasileira globalizada.


Na igreja ocorreu o mesmo com o órgão e coral.  As mulheres não precisavam competir por trabalho e, com isso, podiam se dedicar a afazeres artísticos e musicais, absolutamente importantes na igreja.  Hoje a vida agitada só aproveita o tempo residual de estudos musicais realizados na adolescência.  E mesmo quando a profissão é voltada para a música as pessoas se cansam de trabalhar e não querem mais se dedicar a isso nas igrejas.  O piano que existia em cada lar e o órgão de tubos que cada vez se tornava maior, passaram a não ter mais sentido.  Hoje o rock secular dos anos 60 e que repercutiram em todas a música secular dos anos 80, entrou definitivamente para a igreja pelos novos instrumentos mais simplistas, muito mais práticos, onde menos esforço é necessário, menos tempo se gasta para preparo, menos pessoas são necessárias e muito mais som (e ruído!) se produz.

Um coral leva muitos anos para juntar as vozes de centenas de pessoas em uníssonos suaves e uniformes, enquanto uma voz (que algumas vezes é) rouca e franzina de uma pessoa sem treino e sem fôlego, com o uso de microfones e sistemas moderníssimos de sonorização e modificação sonora baseados em uma tecnologia avançada de correções e conversões, impõe o novo (o atual) padrão de música.  A percussão sempre existiu mas nunca foi utilizado de forma tão presente nem tão monótona, é hoje um ramerrão obrigatório nos ouvidos de todos, em todos os lugares e inclusive na igreja, e ainda em uma intensidade muito superior ao nível sonoro confortável e seguro de outrora.  A bateria, a guitarra, o teclado e uma voz sem qualquer preparo são, hoje, um padrão imposto e exigido por pessoas que não tiveram qualquer preparo musical (me refiro ao estudo básico, metódico, formal e erudito).  A justificativa, na área de música religiosa, para a adoção universal desse novo padrão é que a música evoluiu.  Simplesmente isso.  Ou seja, alega-se que se antes não havia esse tipo de música (gospel, evangélica ou, podemos dizer, rock e "pop" cristão) era porque a tecnologia não permitia e porque ainda não havia sido inventada.  Então, por evolução, hoje a música nas igrejas passou a ser similar ao rock melódico do Brasil tocado na década de 80.


O órgão foi substituído, repentinamente e junto com o piano, pelo teclado eletrônico, que se adere às novas tecnologias eletrônicas.  Claro que a tecnologia também permitiu a evolução de órgãos de tubo e de pianos, mas a simplicidade, o menor custo, a disponibilidade e a aderência ao ritmo cristão globalizado sufocou essa evolução.  Piano é, nas casas das famílias, um artigo cada vez mais raro.  Com isso, novamente o círculo vicioso explica o fechamento de fábricas e lojas de instrumentos tradicionais.  Instrumentos de orquestra, escolas de música, aulas de canto erudito, órgãos de tubo: muitos estão próximos até da extinção!!!  


Finalizando, sobre o órgão de tubos, ainda que a tecnologia ajude a aprimorar os controles, permitindo recursos impensados antigamente, o princípio de funcionamento é tão simples que um leito até duvidaria: é um assoprador de tubos.  Um órgão é composto por milhares de flautas que podem ser assopradas à distância.  8 mil tubos, por exemplo.  Alguns são de madeira e outros de metal.  Cada um tem sua forma --cilíndrica ou não--, seu diâmetro e seu comprimento, que pode variar de 1 cm a 10 metros.  Esses tubos são controlados por cinco teclados e centenas de chaves.  O som que é produzido por um conjunto tão grande de tubos instalados em salas na parede.  É algo grandioso, totalmente diferente de tudo o que existe nas igrejas.  

Nunca houve percussão permanentemente associada à música sacra no passado, como hoje há e com isso as músicas que sempre acompanharam a igreja começam a se tornar incompatíveis e perderam a graça.  Uma música que era executada com todos os detalhes de dezenas de horas de aperfeiçoamento, ao ser tocada por instrumentos e técnicas simplificados, perde toda a beleza e sua razão de ser.  Eu diria que a música devocional sacra deveria produzir no adorador algo como o clareamento de sua mente e fazê-lo se abster o máximo possível de sua natureza carnal para ligá-lo ao espiritual e racional, sem apelo emotivo e sem precisar as técnicas do popular ministério de louvor acompanhado das mãos para o alto e gemidos de demonstração de submissão: Deus não precisa e não quer isso.  Mas, hoje, tenho que dizer que isso é apenas a minha simples e modesta opinião.  Não é pessoal... mas significa que para mim o mundo está perdido... e a igreja também.  Mas já sabíamos que seria assim no fim dos tempos...!

16 de maio de 2012

Restauração da Música Coral nas Igrejas

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A música coral já teve seu momento áureo, mas, já há algumas décadas, sofreu uma forte queda.  O que houve com a tão buscada sensibilidade foi um processo de simplificação extremo que ocorreu após o surgimento de recursos tecnológicos avançados.  Na atualidade é possível a uma única pessoa cantar ao vivo uma música a quatro vozes, é possível que um desafinado tenha sua voz editada e afinada, é possível que um tenor produza voz de baixo ou que um baixo reforce seus harmônicos, modificando sua tessitura e a textura de sua voz, artificialmente.  Toda essa tecnologia poderia contribuir para o aumento na sensibilidade musical mas, ao contrário, parece que está valendo a tão conhecida "lei do menor esforço".  Se podemos fazer agora um som similar utilizando muito menos tempo e recurso, porque estudar tantos anos?  

O computador hoje já é capaz de executar qualquer peça, podendo-se manipular de várias formas o tempo, a dinâmica e todos os recursos de expressão, executando-se qualquer partitura musical.  Os sons dos vários instrumentos musicais são gravados por amostragem (ou "samples") produzida por instrumentistas profissionais, que gravam individualmente o som de cada nota, registrando cada variante para cada possível expressão e recursos de nuances dos instrumentos, produzindo sons tais como: legato, staccato ou pizzicato, sforzando ou dolce, e uma série de novos recursos que nem se imaginava serem possíveis há alguns anos. Uma criança poderia programar uma execução de uma orquestra executando o famoso Voo do Besouro, de Rimsky-Korsakov no seu computador.  Veja abaixo uma versão orquestrada e uma versão sintética simples:

"O Voo do Besouro" com Orquestra

"O Voo do Besouro" no computador 

A tendência que vemos hoje é que, ao invés disso atingir-se um novo patamar de qualidade e erudição, ocorreu a simples substituição, havendo uma redução de qualidade mas uma eficiência muitíssimo maior.

A existência de um coral tem muitos aspectos importantes para uma igreja: torna um grande número de pessoas ativas na liturgia de um culto, imprime a noção de interdependência de todos na execução de uma única obra, educa as vozes, aumenta o conhecimento teórico musical, aumenta as percepções auditivas, além de muitos outros aspectos.  

Mas a música coral nas igrejas está sofrendo com a tecnologia e simplificação.  Alguns sintomas claros disso consistem num andamento rápido e constante, no ritmo padronizado, na intensidade alta (varia entre mf a fff) com a utilização obrigatória de microfones.  Poucos são, agora, os graus de liberdade que se colocam, realmente, à disposição do regente, que está limitado pela "banda" que substitui o acompanhamento tradicional de piano e órgão.

E agora, com esse quadro que se estabeleceu, como poderemos restaurar a música coral de qualidade nas igrejas?  Alguma sugestão?!!

20 de janeiro de 2012

O Uso da Percussão

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Música é arte.  O gosto pela música na vida de uma pessoa sofre constantes modificações e, ao longo das décadas, o conceito da beleza na forma musical se modifica (mas não se consolida, necessariamente).  Quem abre sua mente para algo novo vai, com a experiência e o contato, aprendendo a gostar.  A subjetividade desse assunto dificulta a análise fria do que é a beleza musical e se existe algum conceito absoluto na música.




Antes de mais nada, friamente falando, música é um conjunto de variações na vibração do ar que atinge nosso corpo -- e principalmente o ouvido.  Partindo de um ruído aleatório, a "correta" organização das frequências, a organização dos tempos em que cada conjunto de frequências múltiplas e bem definidas e a intensidade sonora definem a nossa música.  O som da música é formado, grosso modo, pelo conjunto de intensidades e frequências sonoras que impressionam nosso corpo.

Música é som que trabalha e conversa diretamente com a nossa mente.  Algo capaz de se dirigir diretamente ao cérebro é algo poderoso.  Mostram os estudos que a visão é o sentido que possui a ligação mais imediata com o cérebro, devido à conexão direta das suas redes neurais.  A audição é importante e com ela podemos compreender palavras, perceber as nuances que indicam a emoção do locutor.  Um livro contém palavras que expressam fatos e conhecimentos.  A leitura é feita com a visão, mas o mesmo texto pode ser ouvido.  Qual é a diferença?  Ouvir a bíblia pela voz do Cid Moreira ou lê-la?  Quando o locutor coloca a sua interpretação, a sua interpretação dá alma e transforma o texto, inserindo um novo contexto.  Isso pode enriquecer ou empobrecer, mas uma coisa é fato: modifica a assimilação do conteúdo.

O efeito da música que ouvimos, portanto, depende de nós (de como temos formado o nosso "tradutor interno de música", de como ela acessa nossas memórias e nossas convicções), e da execução (de quanto de emoção ou vida a música recebe de seus executantes, da qualidade sonora formada pelo tipo e qualidade dos instrumentos e destreza dos músicos, de como o arranjo trabalha com a harmonia, o tempo, a melodia e todos os inúmeros detalhes que compõem a estética musical).

Pergunta inevitável: existe, em algum grau, algum fator absoluto em toda essa subjetividade?  Resposta: eu creio que sim.  Por que?  Porque foi explicado acima que música está intimamente ligada a ordem, organização, harmonização de fatores físicos para que tenham acesso a nossa mente.  O universo é organizado em todos os níveis: das galáxias aos quarks, tudo tem muita organização e harmonia.  A harmonia que chega aos nossos ouvidos nos agrada, sempre.  Nem os roqueiros mais pesados poderiam refutar o fato de que um acorde harmônico é agradável ao ouvido.  Então existe música que acalma e música que agita.  Ponto.




E agora, e a percussão... o que faz em nós?  É um fator que deve estar presente na música, por enriquecer as possibilidades.  Se comparar uma música com bateria e uma música sem bateria, são diferentes.  Diferença é agradável. Uma música não pode ser feita por um só acorde.  A diversidade controlada, de alguma forma, gera em nós uma sensação agradável.  Se a sequência de notas for aleatória (digamos, feita aleatoriamente em computador) o resultado será desastroso.  Não havendo uma regra de formação o resultado é sofrível ou desastroso.  Havendo, entretanto, repetições idênticas, ainda que de temas sonoros agradáveis, ocorre uma saturação.  Isso ocorre com as canções simplórias.  Isso pode ser sintetizado com uma pobreza musical.  Então, se não pode ser aleatório nem repetitivo, o que sobra para uma música ter poder de comunicação é o equilíbrio.  O equilíbrio significa não utilizar um instrumento gerador de ruído (a despeito desse tipo de instrumento ser uma das ferramentas essenciais da música) ao longo de toda a música.  Tem graça registrar o som do metrônomo ao fazer a gravação de uma música?  A bateria é, no ritmo rock (isto é, na música contemporânea ocidental do século XXI), uma violação à integridade sonora da complexidade harmônica de uma música, recortando-a com ruídos do início ao fim, de forma repetitiva e quase monótona, muitas vezes intensa.  Teste ouvir todas as músicas MIDI com software que tenha metrônomo, deixando-o ligado.  A música fica contaminada.

Na igreja, a música tem sofrido gravemente com o empobrecimento pela bateria.  Quando uma música começa ao acompanhamento de cordas e sopro, e, depois, na sua metade, entra a bateria, ainda que o efeito possa ser interessante à primeira vista, analisando profundamente, o que ocorre é que a primeira parte da música deve ser classificada como uma música poderosa, ao passo que a segunda parte é a desconstrução do que foi feito pelo empobrecimento rítmico e sonoro por poluição auditiva de um padrão monótono e repetitivo, cujo intuito equivocado do arranjador era criar um momento mais "grandioso".  Existe lugar para a percussão na música, mas esse lugar deve ser limitado pela lilmitação que o próprio som da bateria tem.  Ouça solos de bateria e tente enumerar todas as emoções que transmite.  Ouça, por outro lado, solo de qualquer instrumento, seja de orquestra ou do que chamam de "banda" (entenda-se "rock").  Não há como comparar.

Se concordou com as argumentações e opiniões cima, um conselho para ser passado aos músicos que não percebem a profundidade desse assunto sobre as pessoas:  simplesmente deixe a bateria de lado e troque o "rock" por "música".   Nada se perderá e muito se ganhará.  Para não dispensar o baterista, ensine música para ele e deixe-o auxiliar com um instrumento mais útil e menos egoista (a bateria registra a maior intensidade sonora e só faz variações em ruídos).

28 de novembro de 2011

Trompa de Viena

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A trompa francesa em fá é um instrumento muito conhecido e faz parte de qualquer orquestra.  Já a trompa de viena... tenho que confessar que não a conhecia!  Como é muito parecida com a "french horn", seu som também é bastante parecido.  Embora os repertórios sejam diferentes, mostro dois exemplos abaixo.  Para mim a diferença está no som mais metálico e leve da trompa tradicional e mais escuro da vienense.

Vienna horn:

French horn:

Comentários?!

5 de novembro de 2011

A música não pode ser "arrastada"... pode?!

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O gosto musical de cada indivíduo depende de sua experiência, vivência e preconceitos e aberturas das diferentes estéticas musicais a que se é exposto.  Eu, por exemplo, poderia ter prazer de ouvir batucadas (ou músicas) tribais, como as usadas na capoeira... mas não tenho, não gosto.  Se passar a ouvir diferentes músicas de um mesmo "estilo" a tendência natural é a assimilação.  As emoções contam também, podendo, opostamente, produzir uma repulsa, mas isso somente se houver algum tipo de preconceito consciente ou inconsciente sobre a entrada em questão.  Assim, admito que não gosto nem pretendo gostar de músicas utilizadas em rituais afro-religiosos, por opção.  Além desse aspecto, existe os efeitos fisiológicos da energia sonora ritmada no corpo humano (novamente indico o link: "os efeitos da música rock").

Mas hoje pretendo abordar sucintamente o aspecto de cinemática musical.  Junto com a dinâmica e todos os detalhes que enriquecem a execução (conforme visto no último post), a expressão musical é necessária para impedir o "arrasto" de uma música lenta.  Cansei de ouvir comentários como: "cuidado para não associar o fraco com o lento", e isso é uma verdade... mas é relativa.  É, eu diria, uma associação desejável de fraco com lento e forte com rápido, que provoca um certo tipo de efeito.  Essa associação existe na linguagem verbal rotineira, quando falamos energicamente de modo mais alto e rápido que o normal ou secretamente de modo baixo e lento.  Assim, o temido "arrasto", segundo minhas análises, consiste na imprecisão do tempo e no canto desatencioso, geralmente fazendo com que haja vozes ou instrumentos com defasagens.  Os pianistas geralmente buscam acelerar, executando adiantadamente as entradas.  Toda essa falta de sincronismo produz um mal estar chamado, por muitos, de "música arrastada".

Vou dar um exemplo de música reflexiva, do tipo que é e deve ser empregada em consonância com as liturgias religiosas: Deus o Mundo Amou (da Crucifixão, de Steiner).
Excolhi esta versão em língua inglesa porque a qualidade é fundamental para demonstrar o que estou dizendo.  Repare o volume do piano (fraco).  Fraco é fraco e forte é forte, como se espera.  Alguns compositores costumam inventar ppppp ou fffff para compensar a falta de sensibilidade dos executantes.  Mas se o pp, que é pianíssimo e significa muitíssimo fraco, não for realmente executado de modo fraco (o mais possível), na prática costuma não adiantar ter mais letras intensificando a necessidade de executar com leveza.  A ideia do compositor é deixar claro que ele quer algo quase inaudível.  Mas como isso depende da sensibilidade, frequentemente ouvimos o ppppp como um simples mp (meio fraco).  Repare que na música acima o início da execução parece mais pp que p, e é o modo como gosto de ouvir.  A letra é bíblica (João 3:16) e a expressão que a música passa é que o amor de Deus foi tão grande que é como algo que cresce, mantém a calma, transmite segurança e não tem limites.  Mesmo sem a letra a música já diria isso.  Experimente ouvir.

Outra música fantástica e lenta é o Sanctus da Missa de Santa Cecília, de Gounod (video abaixo).  A letra é simples e diz: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos; a terra e o céu estão plenos da Tua glória; hosanas nas alturas; bendito o que vem em nome do Senhor; hosana nas alturas.  Existem interpretações mais lentas (que eu, inclusive, gosto mais) que são ainda mais solenes.  Mas a música em si já tem uma expressão sinalizada e intuitiva grandiosa.  É uma música grandiosa que fala de um Deus mais grandioso ainda e dá muito bem o recado.  Ouça, sem pressa.


Veja outra interpretação, tentando reparar os detalhes e as diferenças, inclusive as dinâmicas de cada frase musical.  Repare na parte do ff do coral, onde os crescentes e piano subito fazem um contraste absolutamente incrível.


Uma outra música totalmente diferente que tem um potencial muito grande para se beneficiar da solenidade das músicas discutidas acima é a "Creio em Deus", de Nabor Nunes.  Na execução abaixo, o Coro do Seminário batista (STSB) faz uma bela apresentação.  No intuito de aperfeiçoar a execução e em consonância com o que tenho dito, se eu estivesse na regência, a percussão seria eliminada, o andamento seria mais livre e (muito) mais lento, de modo que a graça estaria nos detalhes da dinâmica (forte e fraco) de cada frase.  A liberdade seria acelerar em certas partes, como no f indicado na partitura para a parte "mesmo que a vida não seja tão calma eu creio em Deus", porque se a vida está turbulenta, eu faria como um desabafo, transformaria em ff; em seguida eu faria algo mais reflexivo, reduzindo um pouco a intensidade (e talvez um pouco o andamento) quando a frase prossegue: "mesmo que o ódio destrua o mundo", voltando a forte: "eu creio em Deus".  Em seguida uma redução até falar do sombrio, com pesar, fraco: "eu creio em Deus, sim creio, mesmo sendo sombrio aqui; mesmo havendo maldade eu Creio em Deus".  A beleza desta música é a possibilidade de expressar grandes e diferentes emoções, tornando a música muito agradável.  Assim eu, portanto, modificaria a execução, que não está ruim, mas que, para mim, ainda pode melhorar.


Finalizo sugerindo a busca de erudição.  Um erudito (o que no dicionário Michaelis online significa: "que tem instrução vasta e variada, que revela muito saber") na música é aquele que estuda e se aprofunda em técnicas e teorias relacionadas a música.  Vamos nos aprofundar?!!

25 de outubro de 2011

Sensibilidade e emoção

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A música ao ser executada por cada intérprete, soa diferente. Existem inúmeros detalhes que modificam o som. Cada compositor ao conceber uma música, procura registrar, com os sinais gráficos convencionais, o alinhamento da execução para que haja uma linha geral em consonância com o que foi pensado sobre a composição. Existem algumas obras que ficam tão expressivas quando executadas de uma certa maneira que acaba sendo correto, senão obrigatório, executá-las sempre daquela forma.

O que faz a maior diferença no toque de um pianista é a capacidade de controlar a variação no peso de cada dedo. Sabendo usar isso de forma correta e tendo-se a sensibilidade de conjugar as infinitas diferentes expressões de forma artística. Uma execução sem expressão é uma sequência de sons, não uma música. A música pressupõe uma interpretação sensível, transmitindo emoção pela energia transmitida pelas ondas sonoras. A energia transmitida pelo piano, por exemplo, atinge o ouvido e corpo do ouvinte, provocando emoções. Se isso ocorrer, há música.

Detalhe simples para um iniciante em piano: comece a pensar em cada pequena e simples peça tocada em seu piano como sendo uma obra que precisa ter o máximo possível de emoção. Não toque mecanicamente, nunca. Não corra desesperadamente sem razão, pois é mais difícil ser sensível e atingir os detalhes de acentuações, ligações, dinâmica e variações no andamento quando se estuda de modo lento. Toque leve na maioria das músicas para poder transmitir o peso nas notas mais fortes. Faça um trecho forte com diferentes acentuações, baseando-se em sua criatividade e sentimento da música em questão. Escolha músicas que possam tocar você fundo e, assim, possam expressar o seu sentimento. Não toque piano (ou outro instrumento qualquer) para os outros; toque-o para você. Sinta e viva a música. Ria e chore, viva e morra, tenha alegria e saudade com ela. Quando começar a perceber isto, sua execução será a verdadeira música: sensibilidade e emoção.

29 de agosto de 2011

Música é ou não é neutra?

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Tenho visto debates sobre a neutralidade da música em relação à moral.  De um lado conservadores e de outro músicos modernos explicam a razão de poder ou não utilizar determinados ritmos e instrumentos.

De um lado, se afirma que música é uma sequência de combinações de frequências variando no tempo em diferentes intensidades, mais nada. Nesse caso, de acordo com o meu entendimento do assunto, uma música em si não é triste ou alegre, nem faz dançar ou refletir.

E você, o que acha a respeito disso?  O que é a música?

19 de julho de 2011

Links de Som

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Vou listar alguns links contendo conteúdo relacionado ao mal que faz a música ser "um pouquinho alta".  Pode ser emocionante, pode ser grandioso, pode ser ritmado, pode ser jovem, mas também é perigoso para a saúde. Algumas informações diferem um pouco das que já apresentei nos posts, mas há variações de níveis de segurança e abordagens.  Também friso que o som pode variar muito com o tempo, portanto há mais de uma maneira de tratar disso.


15 de julho de 2011

Som música e ruído

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Apenas uma dica sobre artigo. Leiam http://opensadorselvagem.org/arte-e-entretenimento/musica-mais/som-ruido-e-musica .

Depis de ler, me responda: dá para avaliar uma música gravada em um arquivo digital pelas suas propriedades radiométricas? Se não entendeu os termos, explico de outro modo a pergunta: dá para analisar e classificar uma música somente pela curva de intensidade no domínio do tempo? Se ainda não deu para entender, vou tentar outra: dá para saber se uma música é bonita pelo grau de organização e variações da onda resultante?

Alguém, por favor, comente.

12 de maio de 2011

Males do som intenso

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"O ouvido humano suporta até 90 decibéis. A partir daí, já existe a possibilidade de uma pessoa apresentar lesão, muitas vezes irreversível, levando a perda auditiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a poluição sonora a terceira maior do meio ambiente, perdendo apenas para a poluição da água e do ar."

"(...) Um indivíduo não pode permanecer em um ambiente com atividade sonora de 85 decibéis de intensidade por mais de 8 horas. Esse tempo cai para 4 horas em lugares com 90 decibéis; 2 horas em locais com 95 decibéis; e 1 hora onde a intensidade chega a 100 decibéis. (...) algumas coisas que podem parecer sem importância, como a altura do som, mas que podem acarretar conseqüências desastrosas para sua vida".

"Dependendo do período de exposição, sons de intensidades superiores a 85 decibéis podem causar 'distúrbio de dupla perversidade, pois ao mesmo tempo em que compromete nossa capacidade auditiva para sons ambientais, pode causar ainda um sintoma contínuo e muito incômodo: o zumbido. Para não ser atingido por esse problema, é necessário se adequar frente aos novos tempos de furor tecnológico dos decibéis, alimentado pela falta de organismos eficientes para controlar a poluição sonora ambiental'." 

"A lesão por ruído, geralmente fere células do ouvido responsáveis pelas freqüências agudas. 'E é justamente nestas freqüências que estão concentrados os principais fonemas para o entendimento das palavras. Quando isto ocorre, o paciente deve procurar um otorrinolaringologista para fazer o diagnóstico médico', (...) um dos recursos mais indicados para combater o problema são os chamados "mascaradores de zumbido" "Quando o tratamento medicamentoso para o zumbido não surte efeito, é necessário a adaptação de um aparelho auditivo especial para 'compensar' estas freqüências lesadas' (...)  Existem protetores auditivos com filtros, que deixam passar um som limpo como a fala, por exemplo, e protegem somente do ruído, garantindo a comunicação em um nível saudável dentro de ambientes muito ruidosos". 

"O som nocivo (poluição sonora) pode acarretar conseqüências severas à qualidade de vida da população, afetando a saúde do indivíduo e conturbando as relações sociais. 
As repercussões são de ordem individual e coletiva. No Rio de Janeiro, 60% das reclamações recebidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, são relacionadas às agressões sonoras. Algumas pesquisas mostram que o ruído fora de controle constitui um dos agentes mais nocivos à saúde humana, causando perda da audição, zumbidos, distúrbios do labirinto, ansiedade, nervosismo, hipertensão arterial, gastrites, úlceras e impotência sexual."

"Muitas pessoas rejeitam o aparelho auditivo, mas como é natural usarmos óculos para poder amplificar as imagens, também deveríamos usar os aparelhos de amplificação sonora (AAS), também chamados de próteses auditivas, ou outros equipamentos auxiliares para a audição, sem nenhum preconceito, como forma de se minimizar os efeitos negativos da deficiência auditiva que tanto aflige as pessoas". 

A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial adverte:
"O SOM INTENSO PROVOCA PERDA DE AUDIÇÃO"

"A exposição a sons intensos é a segunda causa mais comum de deficiência auditiva. Muito se pode fazer para prevenir a perda auditiva induzida por ruído, mas pouco pode ser feito para reverter os danos que ela causa. Algumas vezes, uma simples e única exposição a um som muito intenso pode ser suficiente para levar a um dano auditivo irreversível. Isso ocorre porque o som de alta intensidade lesa as células sensoriais auditivas, causando perda auditiva proporcional ao dano gerado, podendo levar a zumbidos e distorção sonora.

Os sintomas iniciais da perda auditiva induzida por ruído são sutis, começando, na maioria dos casos, pelas freqüências agudas. Conseqüentemente muitos indivíduos não percebem que apresentam uma perda auditiva induzida por ruído, pois todas as outras freqüências sonoras estão dentro da normalidade, e continuam se expondo a ele por falta de orientação ou conhecimento.

Ao contrário do que muitos imaginam, a exposição a sons intensos não atinge somente profissionais que trabalham em locais com elevado nível de ruído, como indústrias ou aeroportos, mas pode acontecer numa variedade de situações, que são muito freqüentes no dia-a-dia da maioria das pessoas."

"(...) a exposição a sons intensos ocorre com muito mais frequência do que se imagina. Alguns estudos mostram que a chance de um indivíduo desenvolver perda auditiva quando exposto a ruídos de 90 decibéis (dB) durante 40 anos é de 25%. Isso sem levar em consideração que apenas um único som acima de 100dB pode lesar irreversivelmente as células sensoriais de pessoas suscetíveis. Essa intensidade sonora é facilmente atingida em cinemas, danceterias, shows musicais, comemorações com fogos de artifício, que fazem parte dos hábitos comuns da vida cotidiana.

Algumas dicas podem ser seguidas para saber se você está ou esteve em um ambiente com intensidade sonora potencialmente lesiva à sua audição:
(1) se há necessidade de gritar em um determinado ambiente para se fazer ouvir; 
(2) se zumbidos ocorrem após exposição a um som intenso 
(3) se a sensação de ouvidos cheios ou de diminuição de audição aparece após a exposição sonora."

Eu acrescento a esse texto: se você está sujeito a som muito alto no ambiente que frequenta e não percebe nenhum desses sintomas, cuidado: a coisa pode ser ainda pior do que você imagina!  Crianças devem ser poupadas a todo custo.  Abaixe o excesso de volume sonoro da sua vida.

16 de abril de 2011

Escolhendo a Música da Igreja

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Para escolher a música da igreja hoje, podemos nos deparar com um dilema: manter o repertório da época de nossos avós ou deixar a tradição para trás e modernizar com o que se chama hoje de "louvor"? Há muita coisa a respeito disso nas discussões de internet e, segundo a minha análise, geralmente não há debates calorosos por uma razão básica: quem acredita que a música deve ser tradicional escreve a favor disso; quem acredita que o mundo mudou e que a música aceita pacificamente hoje não depende da tradição, escreve sobre isso. Assim, um nem termina de ler o que os outros escreveram, se houver divergências.

Eu já fui mais tolerante à música mais moderna e em casa ouço variados estilos musicais. Gosto de ouvir músicas bem escritas e executadas. Sinto-me bem ouvindo músicas distintas, algumas tranquilas, outras feitas com sons exóticos sintetizados. Gosto de ouvir as séries Gaither Gospel Series, pois têm tanto músicas divertidas e animadas como outras profundas e reflexivas. Acho possível louvar a Deus com címbalos e adufes ou mesmo bateria. Aliás, quando ainda criança, cheguei a pensar em aprender bateria, depois de adorar ouvir certas viradas difíceis! Hoje sei que o volume do som me incomoda muito a ponto de tornar inviável esse instrumento.  E além do mais, importante é saber que o instumento em si nunca foi um problema, mas o seu uso.

Fiquei mais conservador, embora não seja fundamentalista. Ao longo do estudo do assunto da música para igreja, sinto-me muito mais propenso a aceitar uma música com (a) ritmo mais contido e pouco sincopado ("gingado"), (b) letra profunda e significativa, (c) melodia sem floreios excessivos, melismas e efeitos artificiais (refiro-me a efeitos como rouquidão e voz "chorosa"), (d) "a cappella" até acompanhamento com rica orquestração de instrumentos, (e) harmonia densa e bem resolvida e (f) cantada em muitas vozes. Sinto-me adorando quando canto ou ouço na igreja música de igreja.

Na prática evito o que se está chamando de "banda", não me sinto confortável falando em "tribo" na igreja, não sinto que a igreja seja lugar para a bateria (não me refiro ao instrumento em si, mas à sua utilização que fatalmente é feita de forma "inconveniente"), não acho que o som da guitarra combina com adoração, e por fim não acho que jovens devam ser separados dos demais por ter gosto diferente, pois acontece o que já aconteceu: mudam-se os valores.

As argumentações a respeito desse assunto são muitas, mas eu sugiro a leitura do site que venho sempre indicando nos posts anteriores: "Música Sacra e Adoração".

Gostando ou não das mudanças sou obrigado a aceitar o que se faz nas igrejas hoje. Escrevo por acreditar que alguém pode achar curioso um músico parecer tão "retrógrado" e, tentando descobrir o motivo, acabe como eu, sendo outro "retrógrado". Só lembro que o som aceitável jamais pode passar de 95dB.

Os Cânticos que Usamos

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O texto a seguir é parte do texto intitulado: "Agradando a Deus em Nossa Adoração", escrito por Dr. Robert Godfrey, publicado no site Música e Adoração

O que os Salmos ensinam sobre o cântico? Primeiro, eles nos lembram da rica variedade de cânticos que podemos e devemos apresentar a Deus. Os Salmos contém louvor alegre e ação de graças. Os Salmos são chamados o Livro dos Louvores, pois eles não somente contém, mas também culminam no louvor de Deus (veja especialmente Salmos 146-150). Mas os Salmos contém muito mais do que louvor. Alguns Salmos refletem sobre a criação (por exemplo, Salmos 19 e 104); outros contam a grande obra salvadora de Deus em Cristo (Salmos 2, 22, 24 e 110). Há Salmos de lamentação e arrependimento (Salmos 32, 51 e 137), bem como Salmos que expressam a confusão e frustração que o povo de Deus às vezes experimenta vivendo neste mundo caído (Salmos 44 e 73). João Calvino com razão observou sobre o Saltério, "Não há uma emoção da qual qualquer pessoa possa estar consciente, que não esteja aqui presente como num espelho".

Em muitas igrejas hoje, parece que somente cânticos felizes e alegres são cantados. Mas a alegria não é a única emoção que os cristãos experimentam. A adoração cristã precisa prover tempos quando a tristeza ou as emoções reflexivas são expressas, bem como as felizes. Uma variedade de textos de cânticos, como os encontramos no Saltério, são cruciais para este propósito.

Segundo, os Salmos também são um modelo para nós da substância do nosso cântico. Uns poucos Salmos são curtos e têm elementos repetitivos, mas a maioria deles são cheios, ricos, profundas respostas a Deus e à Sua obra. O cântico de louvor a Deus, o Saltério nos lembra, não é apenas expressão emocional, mas um compromisso real da mente. A ordem para amar a Deus com toda nossa mente deve informar nosso cântico. Mente e emoções juntas são o modelo de louvor nos apresentado nos Salmos, e a igreja moderna deve trabalhar para restaurar tal união, onde ela tem sido perdida.

Uma vez que capturarmos novamente o sentido apropriado dos textos que devemos cantar, os outros dois assuntos sobre cântico são relativamente fácies de resolver. Que melodias devemos cantar? Podemos usar qualquer melodia que seja cantável para uma congregação e que suporte o conteúdo do cântico. A melodia deve refletir o modo e a substância do cântico à luz da alegria e reverência que são apropriadas à adoração. Com aquelas diretrizes em mente (e uma sensibilidade à dificuldade da congregação em relação a uma mudança), o assunto da melodia para os cânticos deve ser resolvido facilmente
 
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